era do interior que lhe vinha aquela reclamação rouca
aquele suspiro arrasador das almas sensíveis
paralizava-se-lhe o pensamento claro
e os turbilhões vindos do inesperado
toldavam-lhe o futuro
procurava uma causa uma explicação para as angústias súbitas
os medos comezinhos que lhe esfriavam as mãos humedecidas
procurava
desenvolvia o pensamento positivo que o abandonava
constantemente
atraido pela fatalidade teatral dos não te rales
o peso dos estorninhas na meiguice do seu olhar
velava de negro betuminoso as cortinas franjadas
das janelas em guilhotina
as madeiras do soalho reflectiam a paisagem da sua mente
o grito continuava sonoramente encaminhado
para o mais leve pulsar das flores de papel
em fogo consumidas
fatalmente
m.f.s.
manuel antónio pina / saudade da prosa
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Poesia, saudade da prosa;
escrevia «tu», escrevia «rosa»;
mas nada me pertencia,
nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou que sabia.
E s...
Há 21 horas





1 comentário:
Escolhi:
"para o mais leve pulsar das flores de papel
em fogo consumidas
fatalmente"
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