sexta-feira, janeiro 30, 2009

pergunto

todo o caso freeport começou com uma carta anónima...
quem a enviou deve deleitar-se com o seu próprio poder
talvez fosse boa ideia conceder a governação do país aos boateiros anónimos
e aos boateiros que escrevem nos jornais
votar para quê?
é melhor ir à praia quando as eleições calham no verão

"Tal como havia dito a procuradora Cândida Almeida, directora do DCIAP e responsável pela investigação do caso, as autoridades inglesas não pedem qualquer tipo de informação sobre as contas bancárias de José Sócrates."..."Mas a revista Sábado pôs na sua capa essa mentira (ampliada na p. 38 da “reportagem”) reproduzida ad nauseam pela concorrência. Eu sei que os jornais precisam de ganhar dinheiro."

in http://daliteratura.blogspot.com/

pergunto
se é mentira e continua a ser propagada os seus autores não devem ser punidos?

alentejo

 
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quinta-feira, janeiro 29, 2009

stalkers

como se olham os que recorrem a todos os meios para conseguirem os seus fins?
achar-se-ão lindos de morrer?

o bairro



quarta-feira, janeiro 28, 2009

escrito mal amanhado

escrever nas unhas as vidas
da nossa vida
os caminhos sem encruzilhadas
os vagabundos pensamentos sem asas
escrever os homens enrolados
nos ventres das mães
com medo das outras mães
que os governam em casa
frágeis rapazinhos de gordas bochechas
olhos azulados pelos nevoeiros
óculos sem retorno

escrever as sereias
mudas
em ondulantes devaneios
nas encostas das montanhas parideiras
de águas detergentes

escrever e engolir


mfs

nada de nada

nada de novo
pessoalmente

política

raramente vejo os telejornais
as notícias costumo lê-las na internet
sem imagem as coisas parecem menos dramáticas
e menos graves
mas já não suporto esta história da freeport
os ataques a sócrates
parece evidente que é mesmo uma tramoia
o jornalismo partidarizado
este caso além de em momento politicamente oportuno também serve para abafar o caso do banco do cadilhe
isto pretende limpar o psd
pelo menos
não votei ps
voto sempre à esquerda
mas já estou farta deste jornalismo de intriga
vivemos num país de bilhardeiros maliciosos
de corruptos denunciadores-boateiros
de impunidade para os criadores de cenários comprometedores e falsos
políticos misturados com jornalistas produzem um cheiro pestilento

sexta-feira, janeiro 23, 2009

quinta-feira, janeiro 22, 2009

jazz

 
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escrito vadio

gostava de inventar palavras para outros pronunciarem
gulosamente
de olhos fechados

quando o sol fechava as portas
enfronhava-se nas trevas da casa como a toupeira
em terrosos túneis

ao lavar o rosto olhava-se no espelho
mimava cenas semelhantes de filmes
concedia à sua perfomance
o oscar espelhado
o globo de ouro velho
o cristal dos artistas inocentes

tudo lamentações
e oníricas visões de narciso gotejante

mfs

sexta-feira, janeiro 16, 2009

escrito

há uma sombra na voz do cantor solitário
e tu murmuras poemas inéditos
aos ouvidos das surdas crianças

foge de ti enquanto ainda houver
uma vereda na tua paisagem

mfs

quarta-feira, janeiro 14, 2009

herberto helder

VI


Estás verdadeiramente deitada. É impossível gritar sobre

esse abismo onde rolam os cálices transparentes da primavera

de há vinte e dois anos. Quando aperto as pálpebras
ou descubro o teu nome como uma paisagem,

só há grutas virgens onde os candelabros se apagam.
Mãe, pouco resta de ti na exaltação do mundo. Às vezes
misturas-te um pouco nos terrores da noite ou olhas-me,
vertiginosa e triste, através

das palavras.


No outro lado da mesa estás inteiramente
morta. Parece que sorris de leve no meu
pensamento, mas sei que é apenas

a solidão espantada. Como pudeste morrer
tão violenta e fria,

quando os meus dedos começavam a agarrar-te
a cabeça inclinada dentro

das luzes? Não podes levantar-te dos retratos antigos
onde procuro afogar-me como uma criança

nocturna. E não atravessaremos junto as cidades redentoras,
perdidos um no outro, sorrindo

como se estivéssemos debaixo de uma árvore inspirada e eterna.


Conheço algumas cidades da europa e a fantasia vagarosa
da cidade da minha infância.

Tu desapareceste. É um erro

das musas distraídas. Não há guindaste que te levante
do coração das águas

onde apodreceste envolvida no halo do teu amor invisível,
ou recolhida na tua carne rápida, ou

ligeiramente tocada pelo ardor

de uma existência pura. Conheço grandes casas

onde não habitas, flores que cheiro, tarefas
silenciosas que cumpro humildemente, e luzes,
instrumentos de música,

laranjas que devoro sentindo o gosto da vida desde a garganta

às mais finas raízes das vísceras. Tu
desapareceste.

Imagino que seria possível tocares porventura

a minha boca. Tocares-me tão viva ou tão misteriosamente

que eu estremecesse nas traves

da cega inspiração. Poderias estar vergada sobre os meus
ombros até que as lágrimas

na minha boca se confundissem com a ansiosa subtileza
dos teus dedos, e eu me sentisse

perdido entre os pilares e os túneis das cidades
ressoantes.



Depois talvez pudesses vir com o rosto um pouco coberto de poeira,

e os olhos delicados de mulher restituída,

e os pés brilhando sobre os caminhos do meu silêncio exaltado

- talvez

pudesses salvar-me como uma palavra pode
salvar um pensamento, ou uma

breve música pode acordar do abismo inocente
da noite

um instrumento encerrado nas cordas extenuadas.



herberto helder
fonte
assírio & alvim
1998

ontem



saí depois de dois calmos dias em casa
o frio
mas ontem estava um bom dia
chás
os chás em saquinhos não me sabem bem
fui à carioca da rua da misericórdia e comprei chá verde e chá preto
veremos se me sabem melhor

rua do loreto
alfarrabista
de cada vez que aqui vou saio com um livro ou dois
desta vez trouxe um livrinho do herberto helder
fonte
e um de fernanda de castro
o senhor que me atendeu pinta
tem uns trabalhos nas paredes da livraria
falou-me de herberto helder que conheceu
de natália correia
do café opinião
de ilda reis e saramago
de sua vida por vezes atribulada

disse que herberto helder era um esotérico
que lhe perguntou um dia qual o poeta que mais admirava
antonin artaud disse ele

gastei 35 €
hum
ando em economias e faço destas coisas
porque além do mais comprei revistas na tabacaria mais acima
numa delas vêm colagens de jacques prévert
já as pus no ecos e memórias
surpreendente

hoje volto à galeria para fazer gravura

segunda-feira, janeiro 12, 2009

 
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sombras






ontem à noite andei a fotografar sombras
mais uma vez

retrato



nos anos 80 fiz este retrato
não gosto muito de fazer retratos

quinta-feira, janeiro 08, 2009

regresso

acabei de falar com a minha filha regressada do bornéu
gostou
andou pela parte da selva "civilizada"
dormiram no chão de uma casa indígena
muitos insectos
pirilampos e cogumelos fluorescentes à noite
passeio de barco no rio lamacento
trilhas em madeira para preservar a selva

bem
estou feliz por ter falado com ela

quarta-feira, janeiro 07, 2009

anoitecer

lua




ao anoitecer gosto de fotografar
as fotos ficam com um grão muito pronunciado e cores que me agradam

regresso

finalmente uma mensagem de minha filha quando liguei o telemóvel hoje de manhã
regressamos hoje a singapura
óptimo

segunda-feira, janeiro 05, 2009

bornéu

e a minha filha que não diz nada lá do bornéu
deve andar no meio da selva

hoje

hoje foi um dia em que algumas pessoas sentiram necessidade de falar com o parceiro do banco de autocarro
que era uma parceira
eu
o irmão que era fantástico e que acabara de telefonar
a dor nas costas que nunca mais desaparece apesar da fisioterapia
and so on

perdi a cabeça e fui aos saldos da casa zara
um lindo edredon

no aki candeeiros de papel
tapa frinchas
velaturas para o chão da outra casa

e umas colunas na vobis

fiquei com a carteira mais leve

sábado, janeiro 03, 2009

luz e sombra



persigo luzes e sombras

hoje




fui à outra casa continuar as limpezas e arrumações
que fadário
recolhi no quintal algumas folhas quase secas e fotografei-as

olhos

dei-te os meus olhos nublados
de imagens oníricas
ventos do norte carregados de
granizos
medusas
cegas nos leitos dos rios de áfrica
átomos de sons emudecidos
sombras ponteagudas
no miar do ronronar dos gatos

deste-me novelos de águas límpidas
recolhidas no seio de rosas voadoras
pousaste
as tuas mãos como ramos sedosos de nostálgicas
carícias
na fragilidade destes ombros
carregados de visões embalsamadas

mfs

sombra

lado a lado a sombra e
o sombreado
a luz e o iluminado
o escuro clareado

a porta aberta

olhos

os meus olhos ainda baixam as pálpebras quando o vento os humedece

Manuela Parreira da Silva

MURALIDADE


A CASA

Penduras a pele no bengaleiro e entras
no meu quarto andar direito e voraz.
Deste lado fumega, eterno, o atanor e a mesa
está posta para a ceia travessia da noite.

OS JARDINS

Sou, naturalmente, Margarida, cicerone da
floresta simulada. Aqui se demoram as crianças
e os namorados suspendem, em beijos,
a densa vedação. Aqui estão os velhos
cirurgiões de novembro. E, aos domingos,
o pastor põe-se a cantar um salmo novo.
«Diz-me, meu amor, onde guardas o rebanho».
para que eu possa guiar a solidão.

O CASTELO

Habita-me um dragão, uma princesa, um trono
esculpido de narcejas. Soluços de servo fustigado
ressoam no alçapão, no labirinto.
Um cavaleiro aproxima-se da ponte levadiça
e galopa, apressado, para me conquistar.
Estremecem-me as paredes sismo de desejo
(as pedras amam e alguém mais, certamente, o descobriu).

MANUELA PARREIRA DA SILVA
CASTRO VERDE - 35 anos
Anuário de Poesia
Autores não Publicados
assírio & alvim
1986

a vaca


o amor é uma vaca que ri