segunda-feira, março 23, 2009

Boneco

 

Com mais de cem anos
Posted by Picasa

domingo, março 08, 2009

zinco




tenho umas chapas de zinco para trabalhar




não tenho percloreto de ferro para as gravar


por isso procuro produtos que corroam o metal e não me dêem cabo da saúde


já experimentei um produto de limpeza mas não resultou


se calhar vou à drogaria do bairro inquirir

sábado, março 07, 2009

de la poudre

ando sempre a despedir-me
a antecipar-me ao inevitável
a despedir-me das minhas paisagens
das minhas ideias
meus pedaços de criatura en train de devenir de la poudre

olho-me nos espelhos
sou eu
mas talvez não seja

às vezes estranho-me completamente

sou eu aquela ali de sombra à minha frente
atrás de mim
sob os meus pés...

tenho veias ondulantes
salientes
verdes
azuis roxas
nas mãos

sou eu?

que há nos espaços entre os meus quarks?

quando passo o ar fica mais quente?
mais frio?

que é existir?

eis uma mulher
ser vivo

a minha gata também produz elocubrações
quando solta suspiros
parece
no meu colo

a minha gata é mais viva que eu
dorme sempre que pode

sonhos

há largos anos que os sonhos de que me lembro andam à volta dos mesmos temas
procurar casa
arranjar atelier
não me lembro bem de como são as casas
mas os ateliers oníricos são sempre coisas estranhas

um deles numa esquina
numa aldeia
casa feita de terra cinzenta
paredes irregulares
nada de linhas rectas
telhado baixo
ao lado da casa uma vereda

outro dentro da casa de habitação
como um cilindro de vidro implantado no meio

outro num corredor

havia sempre coisas estranhas
problemas com os senhorios
rendas por pagar
não utilização dos espaços

e eu sempre sem tempo para trabalhar nos ateliers

numa noite destas sonhei com uma casa
uma moradia
várias pessoas a irem lá
e eu sem paciência
decidi reservar para mim o espaço de uma marquise que no topo tinha uma casa de banho
com uma cama a meio
onde me deitava sem pensar em nada
sentindo-me protegida
a parede que dava para fora tinha janelas de vidro martelado

os outros foram escolhendo os quartos que queriam
e eu feliz por não ter de fazer a distribuição

boring

nas tardes que espreitam as claraboias
as nuvens são carícias nos olhos dos invisuais

sobre o soalho desenha-se a sombra de grelha de madeira antiga
que segura os vidros até o próximo inverno

as escadas precipitam-se refeitas das cicatrizes
dos anos que passaram
o corrimão é inadequado
a luz apaga-se antes de se chegar ao último andar

à frente de cada porta um tapete
todos desiguais e feios

na rua há pinturas nas paredes
pombos nas goteiras
e junto aos nossos pés
indiferentes de patas rosas

os habitantes carregam grandes somas de anos nas costas abauladas
as mulheres idosas ripam os cabelos pintados
os talhantes vêm cá para fora botar conversa e olhar de soslaio as raparigas que passam
roupas negras e curtas
penteados estranhos de cabelos às cores
mochilas

os empregados dos restaurantes arrumam cadeiras no exíguo espaço em frente
abrem os guarda-sois-e-chuvas
lançam gracinhas e graçolas para os polidores de calçadas
com ar de chulos novos-ricos

farto-me de televisão
de internet
de gelatina e queijinhos frescos

o tempo



o tempo passa e tudo se transforma

quinta-feira, março 05, 2009