Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

Nova Zelandia

Viemos passar o Natal e o Ano Novo com uns amigos em Wellington.
Estivemos uns dias numa reserva natural, na Ilha do Sul.

Segunda-feira, Novembro 14, 2011

Sexta-feira, Novembro 11, 2011

Quarta-feira, Novembro 09, 2011

Relógio

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Segunda-feira, Novembro 07, 2011

Breaking the Illusion of Limitation

além tejo

Há as planícies com ervas rasteiras
trigos
de vez em quando
árvores que choram sozinhas
girassóis
nuvens no horizonte azul

Cegonhas

Há o rasgão das estradas negras
Os açudes calados

Libélulas iridiscentes
Em valsas silenciosas

Ruínas que já foram habitadas
Quando o macadame era calcado
pelas rodas de carroças e
patas de mulas

há o extinto cantar de vozes

em uníssono

casas brancas
largas chaminés
degraus nas portas rasteiras

e o surdo ruir dos sonhos

ffg

Sexta-feira, Outubro 21, 2011

isso

no labirinto das palavras
cresceu uma árvore sem folhas

+
dançam
desengonçam-se
fruem
o corpo exalta-se

dançam
riem
bebem
brilham
suam

o corpo não se cansa

+
os barcos vestem-se de preto baço
encostam-se ao cimento dos cais estrangeiros
usam bandeiras de papel
bolsam águas
dejectos
ironias

os barcos perseguem
o holandês
invejam-lhe as velas enfunadas
o deslizar rápido
na escuridão das neblinas

*

o oriental
chora
os destroços das suas posses
apodrecem nas águas invasoras

já não haverá papagaios de papel

na praia cor de ferrugem

+
numa provecta máquina de escrever
o poeta regride no seu longo tempo
passado

arranca à memória os gestos com que teclava
apaga erros com xxx por cima
pára
e ouve a chuva
a ventoinha
o ruído apagado da televisão

rasga a folha

vai à varanda onde
pacientemente a sua
nuvem transportadora o espera

sobe os almofadados degraus
acaricia as minúsculas gotas
das costas onde se reclina

e parte

não creio que regresse

ffg

Quarta-feira, Outubro 19, 2011

escrito

que dia virá que noite se seguirá em que
as alegrias se desfarão em lágrimas?

Quarta-feira, Outubro 12, 2011

petúnias

estão quase destruídas as petúnias

Terça-feira, Outubro 11, 2011

...


à esquerda o hotel do pássaro

estamos nas monções
há um passarito do tamanho de um ovo, com um longo bico que passa as noites na pequena árvore de três andares
estou a tentar fazer umas férias do facebook
acho que por vezes é muito deprimente
daqui a pouco vou fazer uma açorda de camarão
fazer exercício na bicicleta
e tentar desenhar um pouco

há uma praga que está a atacar várias plantas
pensamos que será devido às chuvas

Sábado, Setembro 10, 2011

Aben Zaidum

"A QUE ERAS EM ZAHRÁ..."


A que eras em Zahrá: saudade de lembrar-te,
num límpido horizonte e rebrilhando a terra,

e quando a brisa à tarde tanto enlanguescia,
como se em dó de mim, num langor de piedade,

e sorria o jardim em prateadas águas
qual se dos véus houveras desnudado os seios!

Um dia igual aos de prazer que me fugiram:
noites furtando o gozo à sorte que dormia,

enganado com flores me seduzindo o olhar,
delas correndo o orvalho até que se curvavam,

chorando a minha insónia as hastes tão exaustas,
que as lágrimas fugiam num brilhar perdido.

Uma rosa fulgia no jardim esbraseado,
e o meio-dia cegava ainda mais, por ela.

Perfumado um nenúfar deslizou num amplexo,
qual quem tonto de sono a madrugada acorda.

Tudo criava em mim uma saudade imensa
que um seio ainda oprimido mal sabia ter.

Se a morte a nossa união houvera consumado:
oh feliz entre os dias tão glorioso dia!

Que Deus conceda a paz ao peito que a saudade
um dia encheu mas não levou nas suas asas!

Se a brisa então soprando, a ti me transportara,
um jovem te trouxera gasto pela vida.

Nem do que tenho o bem de maior preço, amor
- se de amantes se diz que podem possuir -,

seria justa paga desse puro ardor
que nos guiava aos recessos do jardim mais íntimo.

Louvado seja Deus por tempo que tivemos,
de que te consolaste, e de que fiel eu vivo.

Aben Zaidum
Tradução de Jorge de Sena