sexta-feira, dezembro 30, 2011

Nova Zelandia

Viemos passar o Natal e o Ano Novo com uns amigos em Wellington.
Estivemos uns dias numa reserva natural, na Ilha do Sul.

segunda-feira, novembro 14, 2011

quarta-feira, novembro 09, 2011

Relógio

http://www.asriran.com/files/fa/news/1389/8/16/155486_922.swf

segunda-feira, novembro 07, 2011

Breaking the Illusion of Limitation

além tejo

Há as planícies com ervas rasteiras
trigos
de vez em quando
árvores que choram sozinhas
girassóis
nuvens no horizonte azul

Cegonhas

Há o rasgão das estradas negras
Os açudes calados

Libélulas iridiscentes
Em valsas silenciosas

Ruínas que já foram habitadas
Quando o macadame era calcado
pelas rodas de carroças e
patas de mulas

há o extinto cantar de vozes

em uníssono

casas brancas
largas chaminés
degraus nas portas rasteiras

e o surdo ruir dos sonhos

ffg

sexta-feira, outubro 21, 2011

isso

no labirinto das palavras
cresceu uma árvore sem folhas

+
dançam
desengonçam-se
fruem
o corpo exalta-se

dançam
riem
bebem
brilham
suam

o corpo não se cansa

+
os barcos vestem-se de preto baço
encostam-se ao cimento dos cais estrangeiros
usam bandeiras de papel
bolsam águas
dejectos
ironias

os barcos perseguem
o holandês
invejam-lhe as velas enfunadas
o deslizar rápido
na escuridão das neblinas

*

o oriental
chora
os destroços das suas posses
apodrecem nas águas invasoras

já não haverá papagaios de papel

na praia cor de ferrugem

+
numa provecta máquina de escrever
o poeta regride no seu longo tempo
passado

arranca à memória os gestos com que teclava
apaga erros com xxx por cima
pára
e ouve a chuva
a ventoinha
o ruído apagado da televisão

rasga a folha

vai à varanda onde
pacientemente a sua
nuvem transportadora o espera

sobe os almofadados degraus
acaricia as minúsculas gotas
das costas onde se reclina

e parte

não creio que regresse

ffg

quarta-feira, outubro 19, 2011

escrito

que dia virá que noite se seguirá em que
as alegrias se desfarão em lágrimas?

quarta-feira, outubro 12, 2011

petúnias

estão quase destruídas as petúnias

terça-feira, outubro 11, 2011

...


à esquerda o hotel do pássaro

estamos nas monções
há um passarito do tamanho de um ovo, com um longo bico que passa as noites na pequena árvore de três andares
estou a tentar fazer umas férias do facebook
acho que por vezes é muito deprimente
daqui a pouco vou fazer uma açorda de camarão
fazer exercício na bicicleta
e tentar desenhar um pouco

há uma praga que está a atacar várias plantas
pensamos que será devido às chuvas

sábado, setembro 10, 2011

Aben Zaidum

"A QUE ERAS EM ZAHRÁ..."


A que eras em Zahrá: saudade de lembrar-te,
num límpido horizonte e rebrilhando a terra,

e quando a brisa à tarde tanto enlanguescia,
como se em dó de mim, num langor de piedade,

e sorria o jardim em prateadas águas
qual se dos véus houveras desnudado os seios!

Um dia igual aos de prazer que me fugiram:
noites furtando o gozo à sorte que dormia,

enganado com flores me seduzindo o olhar,
delas correndo o orvalho até que se curvavam,

chorando a minha insónia as hastes tão exaustas,
que as lágrimas fugiam num brilhar perdido.

Uma rosa fulgia no jardim esbraseado,
e o meio-dia cegava ainda mais, por ela.

Perfumado um nenúfar deslizou num amplexo,
qual quem tonto de sono a madrugada acorda.

Tudo criava em mim uma saudade imensa
que um seio ainda oprimido mal sabia ter.

Se a morte a nossa união houvera consumado:
oh feliz entre os dias tão glorioso dia!

Que Deus conceda a paz ao peito que a saudade
um dia encheu mas não levou nas suas asas!

Se a brisa então soprando, a ti me transportara,
um jovem te trouxera gasto pela vida.

Nem do que tenho o bem de maior preço, amor
- se de amantes se diz que podem possuir -,

seria justa paga desse puro ardor
que nos guiava aos recessos do jardim mais íntimo.

Louvado seja Deus por tempo que tivemos,
de que te consolaste, e de que fiel eu vivo.

Aben Zaidum
Tradução de Jorge de Sena

António Borges Coelho

Deambulas pela noite
como cão ao abandono
enquanto num alto andar
um homem cercado
quer dormir e ficar acordado

Nem só os cães esgravatam
homens procuram batatas

Vestida de noite a morte passeia
entre automóveis vazios
as órbitas espreitam nas janelas apagadas
e vem com passos de ladrão
ou sátiro

António Borges Coelho
Nocturno
Ao Rés da Terra
Caminho
Da Poesia
2002
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terça-feira, agosto 23, 2011

sábado, agosto 20, 2011

"NORA: Practice Makes Purr-fect" - Check the sequel too.



bem, samartaime, espero que o gatinho que me enviar seja tão
amigo de música, como este...

sexta-feira, agosto 19, 2011

música

adoro a música que ponho aqui
infelizmente agora interrompem-na para fazer publicidade

grrrrr

é tão linda a música e assassinam-na desta maneira!
(até já uso pontos de interrogação e exclamação)

bicicleta

assim que chegou a bicicleta
fui andar nela

é diferente da que eu tinha em lisboa
o exercício é também para os braços
e tronco

hei-de pôr aqui uma fotografia

hoje estou rezingona e apetece-me contestar
o que me parece excessivo

num blogue determinava-se aquilo que poderia haver de comum nos gostos de velhos e jovens

e preconizava-se como deveriam ser os jovens e os velhos
resumindo, fui aos arames
era o que faltava quererem que eu, uma velha, seguisse as regras que outros determinam para a minha idade.

no facebook tive a minha primeira "batalhinha" por causa do sócrates, imagine-se
a propósito de uma mulher que pesava mais de 300 kg e queria pesar ainda muito mais, dizia-se que era "socretina" , devido à mania das grandezas
retorqui que não havia influência de sócrates pois este era elegante e saudável
geraram-se uns azedumes anti-socráticos que acabei por dizer que não se devia confundir a política com o resto (neste caso a elegância...eheheh)
um dos intervenientes foi grosseiro e outro foi quase tanto como ele

bloqueei-os ahahaha
não vou ver mais opiniões sobre coisas que não têm a ver com outras

nunca votei PS
sempre à esquerda

mas detesto confusões destas e injustiças nas apreciações que se fazem seja de quem for

mo facebook ainda se fala do sócrates que passou à história
e ignora-se a quantidade de mentiras destes que lá estão agora

alguém colocou esta nota que copio

Sonia Borges de Sousa

"Passos Coelho disse que chumbava o PEC IV do anterior Governo porque não se podia pedir mais sacrifícios aos portugueses. Afinal podia-se. Mentiu.

...

Outra razão para o chumbo do PEC IV era que o partido tinha sido apanhado de surpresa com as medidas lá constantes. Afinal conhecia-as e em detalhe, depois de uma reuinão de quatro horas com Teixeira dos Santos. Mentiu.

Durante a campanha, defendeu sempre a redução da Taxa Social Única, garantindo que era uma medida acertada e que o seu governo iria levá-la adiante. Logo que tomou posse, informou que iria criar uma comissão de análise e avaliação da medida proposta. Ou seja, afinal não tinha tanta certeza sobre a bondade da medida. Mentiu.

A 1 de Abril, dia das mentiras e em plena campanha eleitoral, garantiu que era uma parvoíce cortar nos subsídios (férias e Natal). Logo que tomou posse, aplicou um corte no subsídio de Natal, mesmo para quem não o aufira (como é o meu caso, enquanto trabalhador independente). Mentiu.

Este corte no subsídio, que não é mais do que um imposto extraordinário (enquanto os empresários pagam menos impostos, com a redução da TSU, os trabalhadores pagam mais), foi justificado com a evolução da situação económica. Ora, esta medida até já estava prevista no programa de governo do PSD e já tinha sido discutida (como revela o Expresso) na semana passada, ainda antes de serem publicamente conhecidos os números de execução orçamental, suposto motivo para o imposto. Mentiu.

Passos Coelho justificou ainda este imposto com os números de execução orçamental do primeiro trimestre deste ano. Mas sucede que esses números já eram conhecidos quando a troika cá veio e analisou as nossas contas. O PSD e o CDS ficaram, então, a conhecê-los. E assinaram o memorando. Mentiu.

Passos Coelho prometeu cortar nas despesas. Iria reduzir o número de Ministros, para o efeito. Dos dezasseis do anterior governo, passámos a ter onze. Secretários de estado, que eram vinte e cinco, passaram a ser trinta e cinco. Ou seja, mais despesa. Mentiu.

Uma das primeiras medidas de Passos Coelho foi passarem os elementos do governo a viajar em classe económica. Afinal, já não pagavam os bilhetes, foi uma medida para eleitor ver. Mentiu.

Passos Coelho disse que não iria contratar boys para o governo. Miguel Relvas e Marco António Costa, dois dos elementos fortes do aparelho social-democrata, foram dos primeiros a ser contratados, seguindo-se assessores contratatos a blogues apoiantes, premiando as batalhas blogosféricas travadas nos últimos anos. E as nomeações dos boys PSD/CDS para a Caixa Geral de Depósitos, e não só? Mentiu.

Os governos costumam começar bem e terminar mal. A exceção, nos últimos anos, foi Santana Lopes, que começou logo enquanto desastre político. Passos Coelho começa mal e ameaça piorar ainda mais as coisas, como se tal fosse possível. Se Sócrates era mentiroso, Passos Coelho já deu mostras, mais do que suficientes, de que é igual. Mais do mesmo, portanto."


é claro que os apoiantes não criticam

logo parece que é como no futebol: o que é preciso é que o nosso clube ganhe


mas afinal que portugueses são estes que se estão nas tintas para o bem estar do povo, que todos somos?

o que querem é ter no poleiro gente da mesma cor, mesmo que faça o mesmo ou pior que o que esteve antes


não posso com qualquer espécie de fanatismo!!!


Interview with Tomoko Shioyasu - Bye Bye Kitty!!!

Interview with Haruka Kojin - Bye Bye Kitty!!!

exercício

a minha filha e marido moem-me a cabeça para sair de casa para fazer exercício
já me bastam as idas aos centros comerciais, umas vezes a pé, outras de táxi

e puxar o carrinho das compras
apanhar sol a mais

suar em bica

eheheh

prefiro fazer exercício a regar as plantas
fazer a "inspecção" dos "nascimentos", evolução e eventualmente morte destes lindos seres
todas as manhãs e
às vezes várias vezes ao dia

para os calar comprei a bicicleta
fica no atelier
e espero que eles também a usem

já estive a pedalar um bocadinho...
é bom




blogues

aproveito para ver alguns blogues que há muito não visitava

vi o da rolo duarte e do filho pedro

neste último em tempos faziam comentários extremamente desagradáveis
no da mãe também, por vezes

ler os comentários nos blogues
e nas notícias pode dar cabo da cabeça a qualquer um


CHEGARAM!
14:56

à espera

e eu aqui à espera que me tragam a bicicleta para fazer exercício dentro de casa
que nas outras não me atrevo

ficaram de vir entre as 12h e as 15h
são 14:44...
vim para o r/c antes do meio-dia para ter a certeza de que ouvia os homens a chamar

estou farta de afastar a cortina de cada vez que ouço ruído de carro

nada
não são eles...

o euronews passa e repassa as mesmas notícias
que seca

...................................................


quarta-feira, agosto 17, 2011

Bye Bye Kitty!!! - Between Heaven and Hell in Contemporary Japanese Art

http://thisiscolossal.com/2011/03/immense-paper-cut-tapestries-by-tomoko-shioyasu/

domingo, agosto 14, 2011

....

há algum tempo atrás voltamos ao mexicano

resolvemos ir ver uma exposição
quando procuramos o horário verificamos que estava fechado ao domingo

bah

hoje fiz dois desenhitos
está difícil vencer a inércia

a minha conta no flickr acabou
para renová-la é sempre uma maçada porque tem de ser em reais
apre!


Joy Division - New Dawn Fades

perguntas

continuo a fazer-me perguntas
cujas respostas não terei

dentro da minha máquina de pensar
passeiam por vezes
visitantes não solicitados

não gosto

a minha planície tem de estar limpa
de interferências

quero desenhar-lhe as minhas
preciosas ironias
os meus medos
ou não medos

sexta-feira, agosto 12, 2011

ah

todas as manhãs, às vezes antes
de tomar o café
lá vou eu cumprimentar as plantas da varanda
e do jardinzinho

falo com estes seres magníficos

as petúnias presenteiam-me com um perfume
leve
místico
purificador

hoje andei a fotografar os bambus da varanda

tinham nalgumas folhas umas gotículas como pérolas de cristal

fazem uma cortina verde à frente da porta do meu quarto
que me dispõe bem

domingo, agosto 07, 2011

pensamento deante do monitor

A matéria das horas esgarça-se
Como os panos de cozinha
Envelhecidos

Nos espaços entre as suas fibras
Desenvolvem-se dias
Sem fim
Até ao fim

ffg

terça-feira, agosto 02, 2011

2 de agosto

hoje faço anos
um casal de língua espanhola que vive na nova zelândia
e que veio passar férias a singapura
vêm jantar connosco
a gisela é que vai fazer o jantar

ele, o daniel, é uma pessoa bem disposta

ficaram em casa do martin, aqui ao lado
mas depois vêm para cá

hoje já fiz o transplante de duas plantas

exceptuando um grupo de petúnias que está a morrer, todas as plantas estão a dar-se bem
talvez compremos também uma bananeira.
isto é realmente muito agradável para mim, o contacto com as plantas

gostava de ter um gatinho
mas não é possível
às tantas fugia
isto não é um apartamento

os gatos da rua aparecem muitas vezes por aí

tenho comprado algumas revistas de arte
é bom folhear revistas, livros, jornais
e não recorrer só à internet

algumas formas de arte deixam-me indiferente
outras, infelizmente causam-me uma certa "repulsa" lamento dizê-lo
pois tenho um leque muito alargado de preferências estéticas

esta minha reacção incomoda-me
mas...que fazer?

Estou a gostar muito dos trabalhos de alguns arquitectos
de alguns escultores
e de certas instalações

alguns desses trabalhos emocionam-me muito e dão-me um agradável deleite
o que me põe em paz com a humanidade, parte dela, claro

até ver

segunda-feira, agosto 01, 2011

hoje

são 10:42 da manhã
acordei mais bem disposta
já visitei o jardim

preciso de fazer várias coisas
o problema é escolher qual delas faço primeiro

estou a ouvir beethoven para lavar a alma

o jantar correu-lhes muito bem na casa do senhor da trotinette
que tem 4 andares

apre

o sr. é advogado e tem uma cunhada chefe de cozinha

comeram mexilhões

acho que vou escolher o que fazer primeiro pelo método da cara ou coroa

domingo, julho 31, 2011

ontem

ontem foi dia de paródia
vieram uns amigos da nova zelândia e para os receber convidaram outros para a festa
hoje é o descanso
ando a ver séries novas

recomecei a pintalgar mas hoje não fiz nada.
o senhor da trotinette apareceu aí ontem e convidou-os para jantar, com os amigos e os vizinhos

ando mesmo aborrecida
meio deprimida, mas fazendo um esforço para reagir

que maçada tudo me aborrece

bem vou ver mais um episódio da série americana em que um dos protagonistas anda sempre com os olhos arregalados para se ver como são tão azuis
cheia de receitas

eles tem muitas receitas de séries
é o pronto a servir

olhe, onde fica a secção dos malandros inesperados?
e a das conversas enganadoras
dos indícios falsos...
é só escolher e tem-se uma série de plástico

ah, não esquecer o herói com um problema a resolver na vida dele que o mantém sempre em suspense enquanto se desenrola a trama de cada episódio
funciona como um pano de fundo que às vezes fica em primeiro plano

nesta série as meninas heroínas ou não assemelham-se bastante
carinhas rechonchudas, olhos claros, cabelos escuros
pode ser que apareçam outras de outro estilo lá mais para a frente.

os heróis são escorreitos, boa cara, bom físico, umas vezes coitadinhos
outras indignos de confiança

sábado, julho 30, 2011

criar



com a plantação feita no jardinzinho
sobrou muita terra que foi colocada em sacos de plástico
junto ao caixote do lixo fornecido pela entidade responsével

os dias passavam e os homens do lixo não levavam os sacos

o mário começou a pensar como resolver o assunto

finalmente a sua veia de artista/arquitecto teve várias ideias

e começou a trabalhar

irei mostrando como a ideia se foi concretizando

escrito

Mesmo
Mesmo que te
Doam os artelhos
O ombro direito
A ponta dos cabelos

Vai

Vai por aquela senda verde
Aquele caminho de algas

Corre
Mesmo que te doam os artelhos

Vai até ao cume das nuvens
Encavalitadas
Nos rastos de sol
Em horizontes de fogo

Agarra-te às ventanias
Rodopiantes

Deixa que as folhas que planam
Nos teus olhos
Te transportem
Ao interior
De ti

Que nunca viste
Nem pressentiste
Que ignoraste enquanto
Ser sem asas
Rastejante criatura
Dos confins do nada

Abre

Abre essa porta emperrada
Em cujo batente
Sempre te recusaste
A tocar

Espreita

Deslumbra-te com a
paisagem que sobe até
ao sangue borbulhante
do teu peito em ânsias de amor
impossível

deita-te
no tapete de flores de vidro
cintilantes de perfumes
loucas de músicas
nas pontas dos
dedos
impacientes por
encontrar
o teu perfeito eu
a pincelada da tua alma

descansa

no colo das miragens estivais
nos véus nublados
dos olhos
que nunca viste
mas sempre te viram

ffg

quinta-feira, julho 28, 2011

desastre

esta noite sonhei que da minha janela
que dava para o mar
vi cair aviões,helicópteros e um dirigível
outros aviões cruzavam desesperadamente os ares
sem poderem ajudar

Et Si Tu N'Existais Pas - Joe Dassin Lyrics

quinta-feira, julho 21, 2011

troveja

Troveja
Troveja
Ainda não
Chove
Talvez não chova

A mulher limpa
As mãos
Ao avental que
Ainda não comprou

Não havia aventais
na loja

a mulher quer um avental
com grandes bolsos
onde se amontoarão
os lenços de papel
os lápis e canetas
com que desenha
papeis de rebuçados

troveja
e
nunca
mais
chove

cães ladram
ao lado
o vizinho da frente tem dois
carrões

de vez em quando passa um idoso
na sua trotinete

esguio
cabelo às cinzas
direito
só se lhe vê
o perfil
não olha para os lados

a trovoada
está mais próxima

a ventoinha faz
um barulho
antipático

Há ruídos
Incessantes
Enervantes

Penso nas
Linhas
Belas coisas
Amo as linhas
Acalmam-me
Enquanto espero
Que a chuva
Desabe sobre
A relva
As flores
As árvores


Um santo com outro
Santo
Ao ombro

Um santo está pendurado

Numa cruz

Dizem que a culpa
É nossa

A mulher volta
A pensar onde
Arranjar um avental

Os aventais dos pintores
Sujam-se de tintas
A mulher gosta
De aventais
De pintores


chove

jardim a oriente


No pequeno jardim voltairiano em forma de C
de cantos em ângulo recto, passo algum tempo do meu dia.
Observo as flores. Há pouco uma borboleta resolveu poisar numa zínia enquanto eu verificava o avanço da idade nalgumas das flores. Ainda a cumprimentei e perguntei-lhe se pensava provocar um tufão na China com um bater de asas. Indiferente continuou a sua refeição.
Ontem da varanda vi um lagarto lentamente a deslizar sobre a relva. Corri a buscar a máquina fotográfica, mas já não fui a tempo, deve ter apressado o passo.
Por volta das cinco da tarde rego as plantas e aproveito para lavar as zonas cimentadas.
Queria começar uma pequena horta mas tenho que me informar como fazê-lo.
Ando também a elaborar ideias sobre materiais para as pinturas. Preciso de um almofariz. Bem que procurei hoje no ikea, mas não encontrei.
Semeei há tempos sementes de papaias. Parece que alguma coisa está a nascer no “viveiro”...
A “alegria da casa” é uma flor que tem acompanhado várias fases da minha vida. Na Ajuda tive uma que se foi mantendo alguns anos e que encontrei na rua. Eram um ramito junto a um muro da rua, caído talvez de alguma varanda. A hera que cobriu grande parte da parede do quintal também foi encontrada na rua.


Aqui, a palmeira que fica na rua junto ao portão sofreu algum empurrão que lhe quebrou a copa. Era tão bonita e elegante.
Já está na hora da rega do jardim.

segunda-feira, julho 18, 2011

escrito

Vive-se noutro planeta
Onde as brisas acariciam os tornozelos
Minúsculas borboletas lilases rodeiam
A orla das saias
As navalhas são de jade
Os cabelos voam sempre ao entardecer

As mesas surgem de cenários impossíveis
Carregadas de sons para neles se mergulharem
As mãos de jasmins
Os pratos enfeitados de alvos sabores
Líquidos invisíveis que fumegam
Sobre as nossas cabeças
De aliens terrestres


À esquerda da direita
Um cravo


ffg

eis

Eu acabo a tua litania com uma flor atrás da orelha
Fulgurante anil reflectido nas íris dos meus olhos
Ausentes das paisagens
Das montanhas em silêncio
Dos mares que rugem

Invento novos ritmos de bambus
Percussões rasas de sons cavos
Harmonias em síncopes esfumadas
E trémulas
Como o calor que sobe das estradas

Corto as copas das árvores com o roçar de leves e olorosas
Cadências

Gosto de fechar os olhos
E ver as formas Oníricas que se
Desenham nas pálpebras interiores
A passagem das sombras de insectos
De capim na sua dança tropical
Os pólens pressentidos
Nos campos onde a alma se deita

O som que se espalha
No céu de brilhos nublados
Levanta-me do sonho desperto
Lento
Volátil

ffg

escrevinhação


Tudo o que for azul será colocado à direita do trono
Seguir-se-ão os amarelos que falam o
francês cantante de Marselha
Os roxos das Páscoas madeirenses
Com glicínias carregadas
De odores que nos lançam nas flutuações
Meteorológicas
Com cintilações de chuvas de granizo
Os vermelhos serão anulados
Pelos verdes flamantes
Como bandeiras lusitanas
Nos altos postes do orgulho nacional

Restarão as luzes velozes
Que conduzem ao outro universo
Longe/perto
Luzes que voam para o vermelho
Para o azul
Para o branco neutral

Quando as folhas das palmeiras gritaram
as dores do vento
Teremos a crucificação do anho
Encolhido na sua doce pelagem de infante
O sangue será o aval da salvação
A carne será digerida pelos fieis
Estáticos
Contra os vitrais dos tempos que
nunca se movem

ffg

terça-feira, junho 28, 2011

sábado, junho 11, 2011

Maria do Sameiro Barroso

VELADO NOME

Não sei como se inicia uma ou outra lua
Na lucidez bizarra à beira
dos abismos, ravinas,
precípicios.

Vivendo na coreografia perfeita das asas
e dos nomes.
No peito de opúncias.
Flores.

No cimo de uma paisagem desolada.
Sobre campânulas
que rodam na face
incendiada.

Em frente às labaredas. Da febre que
fere e estilhaça.
Percorrendo,
nos olhos das estrelas,

as gelosias corridas, as fendas de luz.
Um só vislumbre
e a chuva aproxima-se
revolvendo
a essência mole, o molde de gesso.
Abrindo a amplitude
imensa
ao velado nome
que canta o peso, a volúpia, a leveza
extrema.

O corpo destruído.

No âmago da dália

( Jardins Imperfeitos)

Maria do Sameiro Barroso
Millenium
77 Vozes de Poetas Portugueses
Universitária Editora

Rosa Alice Branco

11. PINTURA

1. O CHEIRO DO ORVALHO

As palavras chamam-me para dentro do poema
e arrastam-te comigo. Tanto vento
que se levantou de repente a esta hora.
Dormias?
Redemoinho entre as letras como um catavento
e sei confusamente que não estamos aqui
como sei que nunca viste uma árvore
ou um telhado cheio de pássaros
para podermos trocar a nossa ignorância
como um pacto de amor
que nos acorda quando nasce o dia.
Soletramos então a palavra «árvore»
que nasce no vidro da janela
mas já estamos longe
no cimo do papel
como duas silhuetas
absorvidas a colher o cheiro da terra.

E contudo as palavras mexem-se,
ouço as vozes atravessarem a lareira
o ressoar das letras espaçadas
as cores quentes à volta do fogo.
Não, não dormias a essa hora.
Eras tu que me arrastavas para dentro do poema
quando o vento dançava nos meus passos.
E eu pensava nas cores das faias
e como as folhas se juntam lá em cima
ou então pensava no grito do telhado
cheio de pássaros no papel
para te dar tudo
o que nunca vimos e ouvimos
na simplicidade
do orvalho da manhã.

Rosa Alice Branco
soletrar o dia
obra poética
edições quasi

rede

arames

pedalar

escrevinhar

elegantes aranhas
nas suas mágicas armadilhas

usam as gotas das chuvas
para assustar os insectos

que mesmo assim

se lhes oferecem
submissos

mfs

segunda-feira, maio 30, 2011

escrito

Nem sangues nem
sussurros de monjas
Nos canaviais

Nem insectos à espreita
Ursos formigueiros tapires de
Couraças medievais

Nenhum som escondido em baixas
frequências

Nem lagartas de espantosos adornos
Ou raposas a tender para o vermelho


Só gestos retumbantes

mfs

fotografia

escrito

Os cabelos emaranhados
Cheios de rupturas
Desertos
Limalhas de prata
Antiga

Os cabelos seguiam as brisas
Na praia sozinha
Competindo com o
som das mansas ondas

adornos
inutilidades

os crâneos
lisos
impolutos
refulgentes
dos heróis de bd

espreitavam-lhe
os sonhos descoloridos
silenciosos
esvoaçantes

os animais voadores
tinham
imponentes asas
transparentes
raiadas de finas linhas

como cabelos
de prata antiga

mfs

escrevinhar

As unhas gastavam-se
No descascar dos alimentos
Nas lavagens de louças e
Roupas

No imaginário dedilhar
Da guitarra
Nos equinócios da idade
Terminal

Os sinais celestes
Acumulavam-se
Nos reflexos da chuva

Nos olhos submissos
Dos animais domésticos

No suor das janelas
Os dedos escreviam
SOS

Save me
Save my soul

mfs

escrevinhar

Todos os dias à volta morriam
da mesma maneira
Pálidas nuvens quando o céu
estrelava
Para o meridiano
Riscos luminosos dos pirilampos
Pulsares que se desagregam
Sois nascentes
Águas mornas

Todos os dias à volta e
às voltas
No calendário de papel reciclado
Na porta do frigorífico
Preso entre ímans
Ao lado das listas de memórias
Recados
Medicamentos

Comprar azeite
Pão
Cenouras
Gelatinas
Boas lembranças

Ler

Ler
Escrever na testa
Os pressentimentos alienados
As mensagens gráficas
Elipses na contagem dos dias

À volta

Riscar o caderno
Manchar de negro
As folhas da
pequena árvore
paciente e esperançosa
grávida de um único fruto

pintar o seu luto

desbaratar os dias

e correr

mfs

segunda-feira, maio 23, 2011

buganvília


plantei outra buganvília

escrito

com os dedos no cabelo sentia o volume do crâneo
as pequenas depressões
as baixas colinas
o vento entre os caminhos
o planalto que lhe achatava a cabeça

braquicéfala como os ancestrais maternos
queixo ligeiramente avançado
mais simetria que na carne que envolve
o osso

simetria
nas órbitas
maxilares
nariz

já podia imaginar como seria
a sua cabeça descarnada

a radiografia feita
ajudava

sábado, abril 30, 2011

terça-feira, abril 05, 2011

sexta-feira, abril 01, 2011

hospital

vim ao hospital para tirar um bocado do tampao para os ouvidos que tinha ficado lah dentro quando os usei para me proteger do barulho das mahquinas acabei por ficar cah porque estava com um problema de intestinos fizeram-me uma colonoscopia tudo bem mais ou menos vou para casa hoje fui vista por uma quantidade grandinha de mehdicos... eh tao bom estar em casa...

sábado, março 19, 2011

bienal








fui ontem ao singapore art museum ver uma parte da bienal que se estende por vários locais
decepcionei-me
mas havia alguns trabalhos que me agradaram

backyard


quer chova quer faça sol eles cá estão a trabalhar
amanhã domingo também vêm

segunda-feira, março 14, 2011

ai

estamos a meio de março e é uma tortura estar em casa com o barulho que fazem nas obras do jardim
e o cheiro a gasóleo...
está previsto o fim deste inferno lá para maio, neste sítio
mas vão continuar nos vizinhos até junho ou julho
trabalham até no sábado
e os das outras obras lá mais para trás até ao domingo trabalham
não devem pertencer a nenhuma das religiões do livro

não é possível estar a sair todos os dias
torna-se cansativo

coloco umas plasticinas nos ouvidos e uns auscultadores
mas a plasticina pôs-me mais surda do ouvido direito porque empurrei demasiado

ando cansadíssima

o tsunami não chegou cá
os infelizes japoneses têm passado por tragédias excessivas
é um sofrimento inimaginável

no museu virtual staachi no facebook tenho um ou dois fãs dos meus trabalhos eheheh
uma multidão

tenho trabalhado muito com o scanner e pouco com a fotografia

o meu genro está com a gripe destas bandas
fica muito desanimado

segui tanto quanto possível a marcha dos desesperados
se estivesse aí também ia
agora querem surripiar mais dinheiro aos reformados
acho bem que o tirem aos reformados ricos
agora aos da classe média não!
razospartam

devia haver um tornado que levasse a malta dos poderes, todos os poderes
pelos ares fora até marte

não, marte é ainda muito perto
deviam ir parar à mancha de júpiter

ai que estou triste
ai


isto vai passar

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

antes e entretanto






começando de baixo para cima temos como era o jardinzinho, depois como está desde a razia.
falta o depois

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

ilustradores

Illustrators Community in Singapore
no facebook

mosquiteiro



um mosquiteiro assim-assim, mas eficaz, protege o meu sono dos mosquitos

Novo ano


pelo novo ano chinês encontram-se oferendas variadas em vários locais

terça-feira, fevereiro 22, 2011

vietnam

o meu genro que além de arquitecto também dá aulas de arquitectura na universidade de singapura, foi em visita de estudo ao vietnam com os alunos
regressa amanhã
para já diz que a vida lá é muito barata...

obras

as obras em casa perseguem-me há uns anos
as da casa da ajuda
as do bairro alto
e agora estas em singapura

é demasiado

não!

estou desolada
querem cortar a árvore os bambús e arbustos
devido às obras que vão fazer nas traseiras da casa
as máquinas necessárias são muito grandes e para caberem é preciso arranjar espaço daquela maneira - arrasando as plantas

estou muito indignada

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

song

voltei a encontrar a senhora que conhecia a canção portuguesa. desta vez percebi qual era - coimbra é uma lição
vulgo avril au portugal...
disse-me que para viver em singapura tinha que seguir as leis deles que proibiam, entre outras coisa...matar. espero sinceramente nunca o fazer
mas a gente sabe lá do que é capaz...
touchons du bois et de la peau de cochon

o meu genro foi ao vietnam com os alunos
quem sabe um dia também lá vou

para já temos projectos de ir a timor-leste e às ilhas da tailândia onde costumam passar o natal.
veremos se tudo isto se concretiza.

vou-me desenvencilhando mais ou menos com o meu inglês cocho e mal-amanhado.

ah se alguém quiser trabalhar em singapura...eles procuram gente habilitada...

Jardim Botânico de Singapura




na sexta-feira fui ao jardim botânico de singapura. andei por sítios diferentes dos que visitei quando cá estive em 2007. penso lá voltar pois nada de melhor há que divagar entre aquelas plantas e outros seres que nos lavam o espírito e nos enchem de bem-estar.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

amigos

viver assim



Vivemos modestamente. Sem qualquer luxo. Sem carro. Mas com alguma relva, flores e pássaros. Estamos bem.