domingo, agosto 30, 2009

sexta-feira, agosto 21, 2009

carotte

carotte a gata
os olhos luminescentes
as orelhas translúcidas

quinta-feira, agosto 20, 2009

quarta-feira, agosto 19, 2009

Redondo vocábulo

Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar,
Pelos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio,
Congregando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança,
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincando e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa

José Afonso

Zeca Afonso_Redondo Vocábulo

O meu cantor, intérprete e autor português preferido. Faria 80 anos no passado 2 de Agosto.

Janita Salomé - Redondo Vocábulo

Outra belíssima interpretação a do Janita Salomé, com um óptima presença

Redondo Vocábulo

Uma herança do fabuloso José Afonso.

Redmond O'Toole 'PRELUDE'

quarta-feira, agosto 12, 2009

montagens

 


ludibriar
Posted by Picasa

fio de arame

fazer equilíbrio num fio de arame
em baixo o infinito
se cair fico a saber onde fica

no fio da navalha
as mãos sangram
os pés também

novelas da "vida real" intermináveis
todos os dias na net
nos jornais
nas rádios
nas tvs

as pessoas devoram como se fossem coisas deliciosas
metem-se no lugar do morto
isto é da vítima
c´est à dire
do herói
sentem-se naquela pele
daquele actor
daquela actriz
daquela personagem

copiam os ademanes
as roupas em tom baratucho
talvez no chinês

a gente olha as dançarinas
as mocinhas aspirantes a modelos
ao vivo ou em diferido
e a gente julga que estamos na américa
até temos mocinhas giras por cá
imitam bem as americanas
até são capazes de deslizar à volta de um varão


e os cabelos

na maioria longos
escadeados assimetricamente
com madeixas
às vezes fosforescentes

também há corpos jovens tatuados
mas pelo que tenho visto na tv são pouco interessantes
bonecos nada originais
borboletas
rosas
sei lá que mais

não interessa nada

a gente aborrece-se
dão-nos estas cenas estrangeiras e a gente vicia-se
depois quer-se mais
mas o aborrecimento não passa
e não há money para as fantasias

então agora com a crise tem que se sonhar baratinho

bem vou lavar o sumptuoso robe chinês que me ofereceram
deve ficar bem nas paisagens das beiras

paisagem

hoje a paisagem flutuante e mutante está invisível
não são as brumas
nem a neve aos flocos
nem tempestades de areias
tão pouco a chuva

a janela está fechada
hoje não me apetece ver a maternidade das gaivotas
nem os pombos alojados nos algerozes
nem
nem

amanhã devo ir para as serras
era para ser hoje

vou levar o tripé

se não me esquecer

estilhaços

todas as vozes se estilhaçam como pedras atiradas sobre águas paradas

todos os corações têm compartimentos secretos onde chave alguma permite a entrada

levo comigo um fio de ariadne para não me perder no mar da minha paisagem

respirar os pólens dos campos sobrevoados por sons inaudíveis dos atarefados insectos
vislumbrar o salto da lebre
a toca do grilo cantante
o restolhar que a serpente desenha no trigo decepado
rebolar pelas leves encostas das colinas verdes
fechar os olhos à luminosidade da luz que vem do alto
deixar-se possuir pelo súbito silêncio do crepúsculo tingido das cores que dizem adeus

abraçar as árvores

terça-feira, agosto 11, 2009

writing

de noite
as luzes apagadas
na janela a paisagem mutante
em cima roída de um lado
brilhante
com um halo como figura de santo

a lua

não se vêem as cicatrizes a esta distância
não tenho um telescópio

gostava de ter um telescópio

riscos articulados

as moscas são audazes
provocam em mim um estado de grande mal-estar com as vísceras revoltadas e prontas a virar-se do avesso

dizem que com vinagre não se apanham moscas
que é feito das moscas do vinagre

há um esforço permanente para inovar as histórias televisivas
pois

horrores
nojeiras
monstruosidades executadas por pessoal que é suposto ter alma

somos assim(?)

ainda não leio o pensamento alheio
espero conseguir descobrir o método nas séries televisivas que abordam o assunto
mas eles são muito parcos na informação do processo

também gostaria de contactar os que amo e foram para o outro lado
mas o que os especialistas dizem é sempre o mesmo
os seres queridos desejam que tudo corra bem connosco
ora

isso sei eu
eles também me amam

pois

rascunhando

dentro de cada um de nós há uma sombra agachada

algumas daquelas estrelas que se deixam arrastar pelas espumas dos mares quando rugem
algumas delas constroem armadilhas nas praias onde as algas se enrolam nos tornozelos dos incautos

há sílica nessas estrelas e mais coisas maravilhentas

o homem com sangue nos cabelos contempla o vento ternurento que lhe enche as narinas
as focas cantam de barriga para o ar
um dedo desenha volutas sobre as nuvens
os arcos góticos
espreitam

escrevinhamento

deantedaminhajanelaháumapaisagemflutuantemutanterejubilantecom humoresdiversificados.hojeplantou-meumalumináriacuscuvilheiracontraumfundoaveludadocomsalpicosdeluzesintermitentes.nãoseiquemetraráamanhãmasnãotardatambémentronadançadasdecoraçõespaisagísticasetalvezplanteumabelaárvoretipochorãoqueeugostodeveraslinhasdosramoscaindocomgraciosidadeealgumamelancoliasobreosreflechosdoslagossonolentos.

lembro-me de que me esqueço e que não há papel de notas que resista à aversão da disciplina.

agarro tudo o que os meus olhos julgam ter visto
para transformar em imagem do meu interior

segunda-feira, agosto 10, 2009

quarta-feira, agosto 05, 2009

escrevinhando


como percorrer as veredas invisíveis do meu destino
sem destino

é como cair de um rochedo de vidro opaco
sobre um pântano de alegres efervescências

sem sentido

sem sentidos

sem brilhos nas espaldas

com largas dobras
nas peles remanescentes

prontas para a fatal incineração
nas piras das índias inocentes
à beira de rios universais

nos princípios do princípio
até ao eterno fim das paisagens
iluminadas

mfs