sábado, março 31, 2007

Matriz

 


Pormenor da matriz em cobre em que estou a trabalhar neste momento.
As matrizes, por vezes, são muito mais interessantes que as gravuras...
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Início

 


Este é o início do novo quadro que estou a pintar.

Quanto à ida para o Algarve, pressinto que haverá problemas a impedir a sua realização. O melhor é eu pôr-me sossegada e deixar de sonhar com passeios matinais pelas cristas dos montes.
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no autocarro

vampiros

descobri aqueles que alimentam os monstros da
melancolia

têm magníficos olhos de prevaricadores
unhas brilhantes
umbigos cheios do maná que moisés recebeu no
deserto

deslocam-se devagar para não assustar as vítimas
bebem os fluídos com sabor a especiarias dos
deambulantes
persistem na escuridão
usam as pesadas roupas do luto eterno
espalham pelos caminhos as flores escurecidas da
tristeza

são os vampiros dos fracos dos espantados da
vida
dos
solitários
nas suas grutas
dos mudos que clamam por
socorro
dos que não são vistos nem ouvidos
no silêncio
do seu caminhar

m.f.s.

sexta-feira, março 30, 2007

aves

regressam as aves sem pais ao país do degredo
arquitectam novos ninhos novas eternidades
no sangue que segue o trilho dos filhos

ensaiam novos cantos de sedução
engalanam as penas das cores do amor
cortam em profundas diagonaids
os ares azulados depois do equinócio

vivem os últimos dias sem ilusões
os papos vazios de alimentar os filhos

m.f.s.

lenço

tenho um lenço
à minha janela
para dizer adeus
aos cativos

m.f.s.

vozearia

seguem-se as queixas dos
surdos mudos e quedos
contra as paredes deitados

os abandonados
apresentam
as
suas reclamações
aos chefes
atrás dos balcões
de fórmica castanha

os seguranças
lançam gestos à esquerda e
à direita

os desamparados
explicam as suas dores
às recepcionistas
de costas encurvadas
olhar distraido
voz arranhante

o sol acaba de dar à luz
alguns feixes incandescentes

levantam-se os olhares dos
suplicantes

a vozearia esquecida dos
invisíveis
não encontra eco nas
entranhas dos míseros
intermediários

as mãos páram
os olhos obscurecem-se
as bocas secam de vez

os corpos
mumificam-se
imóveis
nas salas de
espera
das reclamações
não assistidas

arrancam-se os
anéis de
latão
plástico
ouro e prata

perfumam-se as
ambiências de
pó de talco

mais um dia
na inutilidade do
tempo

m.f.s.

até que enfim

letrinhas
palavrinhas

ninhadas
de aranhiços
empolgados
sobre o papel
esbranquiçado

relas em bandos pelas
estradas húmidas

letrinhas

teias-véus
entre o branco
e o negro negro
donde a
luz não sai

carcumidas letrinhas
palavrinhas

roídas
massacradas
pelos inventores
de
cenários
fechados
nas estantes
das escolas

sem alunos

documentos
em folhas
de árvores
amortecidas

as raivas das
letrinhas incham
a pança
das histórias

incham
incham

explodem

até que enfim

m.f.s.

Tarlatana


quinta-feira, março 29, 2007

quarta-feira, março 28, 2007

Ar limpo

Se tudo correr bem passarei o mês de Abril no Algarve,
em casa de uma amiga.
Vou ter oportunidade de dar, como gosto, os meus passeios
matinais, pintar, descobrir novos
materiais de pintura, desenhar, respirar ar limpo e
ver o mar...ao longe.
A casa fica numa elevação, longe das cidades,
com alguma vizinhança, terraços,
plantas, terra, terra, terra...
O mar é mesmo ao longe, as praias cheias de gente
não são do meu agrado, por isso é bom.
Vou levar o meu portátil, para escrever se me apetecer,
guardar fotografias, mas não terei internet,
o que até me fará bem.

Fiz hoje a declaração de IRS e fiquei a saber que terei
de pagar 440 e tal €€ à Finanças,
porque o governo diminuíu as comparticipações.
Como costumo receber de retorno essa quantia, mais ou
menos, isto significa que o estado
vai ao meu bolso surripiar perto de 900 €€.
Estou indignada, revoltada.
Brevemente, a continuarem assim, haverá mais gente
empobrecida. Belo governo o nosso.

Andei a filmar o vento...claro está que o que fiz foi filmar
os efeitos do vento.
Ainda não sei colocar vídeos no blog, por isso não posso mostrar.
Para meu gosto, há aspectos interessantes: filmei um plástico
transparente que está pendurado
nos fios da roupa. O vento ao fazê-lo mexer produzia um som
que se assemelhava ao bater das ondas
e os brilhos do plástico dão belos efeitos.
Espero continuar a experiência com plásticos coloridos,
tecidos e outras coisas.

Na pintura comecei há dias outra técnica com tinta da china e
cola sobre tela.
Estou cheia de ideias,veremos se faço alguma coisa de jeito.
Fora isto que aqui vai, não tenho escrito nada.

D´après Modigliani

 


Brincadeira sobre um pormenor de um quadro de Modigliani.
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o poder das células...

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segunda-feira, março 26, 2007

Notícias do quintaleco




Num esforço enorme para sobreviver, o jasmineiro agarrou-se ao abacateiro e agora está a dar florinhas maravilhosamente perfumadas

domingo, março 25, 2007

sem

um sem o outro
eram apenas
murmúrios
balbucios
esbatidos
sombras ao
lusco-fusco
candeeiros
ainda
por acender
um sem o
outro eram
um
e
o outro

m.f-s.

Primeiras nêsperas

Primavera

Paragem de autocarro

sábado, março 24, 2007

ironias

estas são as estradas possíveis
nas janelas fumegantes
destes espaços recobertos
de longos candelabros

aqui sepultam-se os consumos
de reencontros virtuais
constroem-se pastiches
de imaginações vanguardaristas

acalmam-se as fugas juvenis
transpostas para as cortinas
de neblinas luminosas
cantam-se ironias sincopadas

m.f.s.

quinta-feira, março 22, 2007

quarta-feira, março 21, 2007

parede

violeta

tenho uma violeta no peito
aberta às intempéries
como a frágil sinfonia dos contrários

remendada de alecrins
como as asas de seda pura
dos pégasos efeminados

debruadas de cetins
como os cílios de andrómeda
no rastro das vespas assassinas
de olhos sonolentos

tenho um cheiro a violeta
no meu coração aberto
cheio de indícios mortais

m.f.s.

neve

neva regularmente sobre os
telhados de papel
rodeiam-se de águas os
campos adormecidos
as jovens pedras cantam
como nos festivais
os cucos despem os
lutos invernais

tal semelhança com as viúvas
é circunstancial

nos cabelos envelhecidos das
crianças
esgotadas
transparecem velaturas em
camadas
sobre camadas
chamam-lhes patinas
escondem os brilhos
mostram as profundidades
recriam o mistério
desaparecido estes últimos
tempos das
pantalhas publicitárias

os artistas isolam-se nos
baldios interiores
constroem iglos para os
animais
desenham ironias em
corpos expectantes

alguém tingiu o ar de
cores impossíveis
na esperança de
iludir os monstros das
circuncisões e os
seus bisturis de
cristais
envelhecidos

a neve ainda lá está
mais velha
menos límpida
ainda
perplexa

m.f.s.

coisas antigas




terça-feira, março 20, 2007

dobras do tempo

na poalha das nuvens
que se
desfazem
habita
o senhor das
tempestades
o eolo
furibundo
cego de nascença
bojudo coração de
deus
abandonado
aí correm as brisas matinais
escutam-se as súplicas
dentro de nós
os balanços
das caravelas
holandesas
a história por narrar
dos heróis mudos
todos os choros
que se sedimentam
nas páginas
extremas
das crónicas
rasgadas

aí desaparecem
todos os amantes
presos às cordas do
tempo
empalidecem todas as
julietas
as ofélias
cobrem-se de
flores aquáticas
hamlet
enlouquece
brandamente
nas brumas da
sua mente
os fantasmas
amarguram as
palavras
vestem-se de
músicas
lentas

as horas enfeitam-se de
coroas cintilantes
os belos efebos
fogem alegremente
dos faunos
risonhos
há centauros em
cavalgadas
ninfas vestidas de
longos cabelos
arrancam
as esmeraldas
presas nas dobras do
tempo

m.f.s.

Jarro

as filhas

as sensíveis filhas da chuva
todas as noites se perdem em
tragédias de classe b
todas as ruas percorrem
oferecendo êxtases
aos filhos desamados
de outros paraísos

rejeitadas que foram
pelas águas
primordiais
frutos que eram do acaso
irresistível
só lhes resta perpetuar
a dor da solidão
os remansos fugidios

nada lhes pertence
nem a sua vida de comédias
fictícias
nem o ar que tentam aprisionar
nos pulmões sem remissão
nem o destino que imaginaram
felizes
perdidamente

m.f.s.

segunda-feira, março 19, 2007

estorninhos

era do interior que lhe vinha aquela reclamação rouca
aquele suspiro arrasador das almas sensíveis

paralizava-se-lhe o pensamento claro
e os turbilhões vindos do inesperado
toldavam-lhe o futuro

procurava uma causa uma explicação para as angústias súbitas
os medos comezinhos que lhe esfriavam as mãos humedecidas
procurava

desenvolvia o pensamento positivo que o abandonava
constantemente
atraido pela fatalidade teatral dos não te rales

o peso dos estorninhas na meiguice do seu olhar
velava de negro betuminoso as cortinas franjadas
das janelas em guilhotina

as madeiras do soalho reflectiam a paisagem da sua mente

o grito continuava sonoramente encaminhado
para o mais leve pulsar das flores de papel
em fogo consumidas
fatalmente

m.f.s.

sábado, março 17, 2007

Farreras


Farreras na Casa da Cerca, em Almada

sexta-feira, março 16, 2007

isto

olhos

na lentidão da brancura dos olhos vedados
ao fluir das folhas tombantes nos
outonos lunares
ao movimento das águas lacustres à
volta dos rochedos
ao gesto apocalíptico da
aranha assassina
da
louva-a-deus canibal
da formiga colectora
de todos os providos de
asas

nessa lentidão escorre o traço da
inevitabilidade
sempre-eterna
pressente-se o rugir das entranhas sísmicas
dos destinos incrustrados
no grande painel do tempo

vagueia-se ao som das linhas ondulantes
apontam-se os dedos hirtos às conjunturas
arrancam-se as peles virginais

abrem-se os olhos brancos

m.f.s.

quinta-feira, março 15, 2007

suspensão

abrirei

abrirei o mundo de alto abaixo com um rasgão de fiapos vermelhos
para ver de que é feito
escrutinarei os meandros interiores deste destino volúvel
deste cubículo translúcido
secarei as suas secreções com a verónica cristã
sepultá-lo-ei num dos sudários restantes dos
rituais musicados das eternas liturgias em leitos de croniquetas
espancarei o ar com bengalas de marfim feitas do último dente
do último mastodonte
rirei
ah como rirei
quando as curvas das estradas de macadame se esticarem
e os incautos se deixarem levar pelas miragens de pacotilha
nas estepes vertiginosas
quando tudo se calar
e as estrelas rebolarem como van gogh as pintou
e os cataclismos forem brincadeiras de deuses aborrecidos
e a inércia se apoderar das almas em decadência

m.f.s.

Música

Percy Sledge, Maria Bethânia e mais Naifa

anel

tenho dois sorrisos de papel
colados na porta de entrada
tenho um gato que ladra
se passas por aqui
um morcego de olhos azuis
pendurado na janela
uma raposa vermelha
fugida do deserto
de saint exupéry
tenho um olhar dorido
sobre as costas encurvadas
um canteiro de borboletas
transparentes
uma caneta de argonauta
escondida no
cavalo de troia
uma mão de vidro fosco
na cabeça de uma
gárgula gotejante
um azulejo com
o meu futuro epitáfio
aqui jazem cinzas coloridas
de lilases incandescentes
tenho um barco
dentro do meu coração
marinheiro
um anel de cabelos grisalhos
para te dar antes
da fogueira onde
me consumirei

m.f.s.

quarta-feira, março 14, 2007

aquela

eu sou aquela que não existe

aquela que nem projecto foi

sou aquela envolta em teias

de aranhas existenciais

sou eu
que não sou

m.f.s.

absinto

acredito em ti nesse
abismo conspícuo
em que
te levantas todas as
madrugadas
de neblinas pegajosas
em ti meu amor de
sexta-feira
acredito em ti
acredito em ti
que ouves a minha litania de
olhos ausentes para o
teu interior
nesse ostracismo em
que me colocas
nesse absentismo
agrilhoado
nesse odor de febres
cor de rosa
dá-me as tuas mãos inertes
meu salvador de domingo
corramos sobre as águas do
lago tiberíadas
onde há dias alguém
chamou por nós
fujamos de sodoma
antes que o sal nos cubra
as sombras
vem meu homem
de toda a semana
segura as vestes
das ninfas estarrecidas
pelos grifos
fugidos das igrejas
em ruinas
colhe as gotas do
absinto
impressionista
pinta os meus olhos
de tons de esperança
meu amor
pressentido

m.f.s.

sorriamos

o cheiro dos cometas em fragosas correrias
entre a população de estrelas que expiram
renascem
como doces donzelas

que se espreguiçam em campos de
alcachofras
saltam fogueiras de gelos árticos

que se abandonam nas curvas dos
caminhos sob os precipícios etíopes

o cheiro
perturba a tranquilidade dos estorninhos
aquietados e inocentes

cria luminosos vestígios
cavalga os meteoros rasantes
espalha sensações inéditas
no mais fundo dos corações navegantes

o cheiro anuncia o aroma das salvações musicais
a sinfonia dos dodecafónicos

escutemos o ruido dos olhos semicerrados
a felicidade dos cantos vazios de luzes
sejamos
livres de nós
libertemo-nos da ternura
das cinzas das pequenas flores
agonizantes

profanemos os tronos de osíris
as águas eternas
agarremos a hora das ceifas
o louro das campânulas selenitas

sejamos deuses televisivos
subamos em espirais de carros voadores
abramos asas de anjos sem limites
fronteirços

bendigamos os assassinos de vácuos
os habitantes dos intervalos
preenchamos as frestas
das bocas vagas

ausentemo-nos das bodas aéreas
escolhamos os fetos jurássicos
como amantes reverdescentes

deixemo-nos perder entre as
plantas aquáticas
em remoinhos de salvação
sorriamos sorriamos

m.f.s.

segunda-feira, março 12, 2007

Músicas

Mais músicas: Jacques Brel, Jean Ferrat, música da Indonésia e outras. Espero que gostem, ao menos de algumas...

Notícias do quintaleco

Os narcisos animam o quintal que está bastante destroçado pelas obras no prédio vizinho
Partiram vasos que atiraram para o mini-canteiro
A parede ainda está por pintar
As folhas do abacateiro ficam amarelas ...
...e caem
Andam nisto há meses...

sábado, março 10, 2007

rumorejar

quando os olhos se perdem no rumorejar das nuvens
e seguem o traço das sementes que voam
as tuas mãos arrefecem sobre o parapeito
das etéreas varandas à beira-rio
os orvalhos penduram-se nos teus cabelos
as aragens dançam como ondas dos oceanos
descem sobre ti as brumas dos países
longínquos

rasgas as cortinas da sabedoria infinita
provas o fruto que te ilumina eternamente
sofres a expulsão e não renegas o teu pecado
filho menor do deus grande
o sofrimento faz parte da tua condição
de proscrito dos édens divinos

m.f.s.

Botão de flor

 
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As primeiras flores do quintaleco

 
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Montra

sibilas

as colchas eram de seda
em tempos idos
os noivos deleitavam-se na
brancura macia
supunham
que era para sempre

os mortais sonham com o
para sempre
enquanto se vão
enterrando em
cemitérios floridos
baptizando em frias pias
baptismais
casando de rendas
tules
sedas
tuxedos

os mortais

olham-se na transparência dos
olhos
vêem mundos irisados
tapam os cenários lúgubres
iludem-se

iludem-se
porque se vale a pena viver
é pela ilusão

é pelos meandros da
nossa pele que passa
a macieza das colchas
em seda

as películas opacas
que escondem as noites
escuras
têm duas faces
qual delas a mais
ilusória

qual delas a mais
sedutora
a mais volátil
a mais irresistível

serpentes encantatórias
no colo das sibilas

m.f.s.

sobre

sobre o amor não falo
sobre o amor só falo
mentiras

as verdades são falsidades
sobre o amor

só há precaridade no amor

é claro que só falo sobre o amor
verdadeiro

mas mais verdadeira que a
falsidade do amor
só a verdade das precaridades

sentimentais

a utopia é o verdadeiro amor
além disso só
aproximações
geométricas

quanto mais me aproximo
de ti
mais longe
estás

assim
que é o amor senão uma
fórmula matemática
ainda por solucionar

imagino
acredito
enquanto acredito


m.f.s.

sexta-feira, março 09, 2007

o poeta

o poeta de esquina não vê a
sombra com que o
candeeiro suspenso
escurece o chão sob os
seus sapatos amarrotados

discute com o seu
anagrama
a forma da palavra
que lhe escapa

o sentido do vulto
fugidio
em contra-luz

ensemisma-se
enquanto o
candeeiro lhe desenha
sombras de
morcego

não entende as vozes no
espelho
as simetrias das
oposições
as texturas das
nuvens em remoinho

cogita

m.f.s.

pombos

os homens

os homens que caminham sobre a neve
e cujas sombras se dobram no horizonte
derretem no peito o gelo das mãos dormentes
bebem a água das encruzilhadas
tapam os olhos com as estrelas que restam
nas fogueiras extintas

os homens erguem os braços como árvores
decepadas

os homens murmuram pensamentos
como relâmpagos

os homens fazem por esquecer os verões
férteis
o pó amarelo dos pinheiros em flor
as unhas carminadas das amantes
as águas que se despenham nos malmequeres
ressequidos

traçam pistas fundas nas brancuras infernais
sob os seus pés desesperados
caem sobre os lençois de frios
adormecem em sonhos violeta
a alma em negro de ébano

m.f.s.

quinta-feira, março 08, 2007

O Paulinho

http://www.youtube.com/watch?v=JmkLahnDxKU&eurl=http%3A%2F%2Fintervencaomaia%2Eblogspot%2Ecom%2F
http://intervencaomaia.blogspot.com/

Família

Em princípios de Junho a família vai reunir-se pela primeira vez, no centro do país a meia distância entre o norte e o sul. Virão à volta de 40, se viessem todos seríamos mais de 70. Os encontros anteriores, com gente sempre em falta, eram em funerais e casamentos.Vem uma sobrinha de Inglaterra. A minha filha, "néo-asiática", como ela diz, não vem. Dois sobrinhos de Luanda também não. Um sobrinho do norte já fez um blog com o nome da família. Vou ver se também colaboro.
Veremos se este encontro tem repetição.

quarta-feira, março 07, 2007

Desenho



Na casa do retrato de que falo mais abaixo, encontra-se este desenho meu a carvão e pastel.
Às vezes tenho pena de ter vendido alguns dos meus trabalhos. Este é um deles.

Retrato



Em tempos pediram-me para fazer um retrato. Não gosto de fazer retratos, sobretudo os que têm de ser "parecidos" com os retratados.
Lá fiz o retrato em tela e tintas acrílicas. Quando ia à casa do retratado, reparava que as cores do retrato iam ficando cada vez mais escuras.
Não me surpreendeu muito, porque acontecia sempre um certo escurecimento, tanto com tintas acrílicas como com tintas de óleo.
Hoje verifiquei que as cores pareciam não se terem alterado muito, ultimamente. E até, em certas zonas ficaram mais bonitas.
Veremos que mais acontece.
Este retrato caíu da chaminé e rasgou-se. Nunca tinha restaurado nenhuma tela. Lá recuperei o quadro, de forma amadora, mas, enfim, razoável.
Ainda não voltei à galeria desde que regressei de Singapura. Espero ir na sexta-feira.
 
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perfume

vou deixar este botão de
rosa sobre a mesa

devagar vai abrir-se
perfumar a
toalha
murchar
perder as folhas

quando chegares do
deserto da tua vida
já não haverá qualquer
rosa


mas talvez rastos de
um perfume delicado
persistente
único
à tua espera

m.f.s.

House

 
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House

 


...à minha maneira
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terça-feira, março 06, 2007

Música

Aprendi no blog do canal poesia a colocar música aqui. Mas só ouve quem quer...
Assim, se quiserem experimentem ouvir a música que escolhi. Qualquer dia tiro tudo e ponho outras. Também na música os meus gostos são muito diversificados.

segunda-feira, março 05, 2007

ícaro

o homem que deambula pelos corredores
das imposséveis naves dos seus desejos
encontra os estilhaços dos seus tormentos
nos labirintos da sua consciência

torna-se no imprudente ícaro surdo aos
avisos da experiência
às fatalidades da matéria

sobe aos céus ainda não ressuscitado
oscilante vulto contra o azul do éter
desfeitas as perecíveis asas em pesadas
gotas que se solidificam nas águas
dos mares antigos

os dédalos são impotentes para o resgate
do sangue do seu sangue

cada ícaro tem apenas o seu par de asas

m.f.s.

domingo, março 04, 2007

por vezes

sob a pluma do poeta
ensimesmado
corre a linha
desliza a linha da palavra

que agarra outra linha
outra palavra
e como no tear ancestral
tece a renda do texto
borda as cores
dos inaudíveis sonhares
abismais

entrelaça o pensar
deslumbrado
entontecido de desmaios
singelezas outonais
nos campos
das cegueiras múltiplas

desengonça as infiltrações
escondidas sob as
peles esburacadas
de bailarinas células
constroi e
desconstroi
o universo finito
das imitações criativas
faz-se sombra de deus
seu objectivo final

por vezes

m.f.s.

acordar

acordaste num limbo de
estranhezas

rejeitas a paisagem

partes só
pela vereda solitária
que escolheste

m.f.s.

sexta-feira, março 02, 2007

asas

fala-me

deixa-te cair nos
leitos voadores
alma em pânico
tigres presentes

dá-me a tua mão
lembra-te de mim
fala-me com os olhos


entrega às feras
a penugem
das garras
felinas

acalma a inquietude
que te afoga no néant
não me debites
palavras

fala-me com os olhos


m.f.s.

sons

os sons espreitam as vacuidades
infiltram-se nos desenhos
infantis
que penduras à tua janela

as geometrias dos sorrisos
geram arcos partidos
inscrevem sinuosidades
nas palmas das
mãos

destinos sugeridos
sem alcançar nirvanas
desenhos
de sonoras infiltrações
à tua janela

m.f.s.

quinta-feira, março 01, 2007

deusinho

especialista das profundas agonias
leva consigo os candeeiros
acesos pela luz do horizonte
salta os arbustos orvalhados
das bermas
que faço eu ali
aqui
nulle part
give me
teu coração vazio
foge especialista
especializado
nos arranhões felinos
das más vizinhanças
escondidas
nas portas de vidro
martelado
com espelhos nas ante-páras
cordões de aço nas virilhas
coloridos transparentes
nas faces e nas fauces
de centauro
pelos em tranças descabidas
ai quem me dera ser imponderável
de um só gesto levantar o universo
pois é isso o que faz
o meu deus permanente
que desejo prender
nos meus curtos braços
de sereia fora de água
deusinho ora criança
chorona
ora algoz ternurento
ore eu mesma
em suspensão

m.f.s.

mãos

com mãos de aranha te leva de rastos
o malmequer caido dos cabelos

com olhos de mosca azul
te vasculha o frágil pensamento

com bico de codorniz
te esgarça a dor morrida

com fios de ariadne
te conduz ao beco sem saida

te enleia em seus braços de leopardo
te fareja os ouvidos ensurdecidos

te engole em lento ritual
de deus voraz ciumento mudo
cego
surdo

m.f.s.

fumo

não há som na tua voz cega
pelo esquecimento
vogando entre nuvens rosadas

só o suposto roçagar das farpas
nos ouvidos atentos
ao despertar das músicas

só o rouco imaginado possível e
inaudível resplendor
da tua imagem

meu incontrolável filho do
nevoeiro das
planuras

meu desenho incompleto
esboço de esboço
grafitado
em paredes de fumo

m.f.s.

Vazio

Não escrevo, só trabalho em imagens, estou sem ideias com palavras.
As coisas da vida prática, como arrumar a casa, pôr a roupa a lavar e a louça também dão-me cabo da cabeça. Precisava de uma varinha mágica.