domingo, junho 29, 2008

workshop de gravura



















na galeria diferença
workshop de gravura sobre matriz de gesso
participantes e trabalhos

escrito

as paredes do meu interior
vazio
soltam folhas secas
veludos esgarçados
cristais baços

as paredes forram-se de anseios
jornadas de cinza
dedos apontados
à culpa dos cadastrados

vozes em estilhaços agudizam
o estertor das paredes desnudadas
com paisagens implícitas nos rodapés
interruptores de vidas ideais
onde o real se atormenta

forro as paredes de mim
de sedosas certezas
luxos de concubinas
asas perfumadas com olhos azuis
corações mágicos
nas noites de cometas perdidos


mfs

ópera


ontem no s.carlos
estreia mundial da ópera
"Corpo e Alma" de Christopher Bochmann, com base na peça de António Patrício Pedro, o Crú, libreto de Laureano Carreira















sexta-feira, junho 27, 2008

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atelier


janela virada a poente do atelier
ainda não comecei a trabalhar lá
andei num workshop de gravura com matriz de gesso
medianamente interessante
espero fazer uma pequena edição de um trabalho na próxima 4.ªfeira
está a aproximar-se o fim do ano de gravura na diferença
não tenho escrito nada
o calor é demais é o que dificulta mais o sono
mesmo assim tenho dormido bem nesta nova-velha casa
os hunos ainda não entraram em acção
suponho que com o verão eles invadirão o bairro e tornarão difícil o sono
já conheço uma drogaria
uma mercearia mesmo perto daqui
uma tabacaria
uma farmácia quase ao lado
já deambulei por algumas ruas
quando andava nas belas artes este bairro era "proibido"...

domingo, junho 22, 2008

notícias do quintaleco












ontem fui à outra casa
reguei as plantas do quintaleco e as dos vasos dentro de casa
a anoneira enche-se de flores, flores estranhas verdes com 3 pétalas
carnudas
veremos se algumas delas geram anonas como a do ano passado
demorou muito tempo a crescer mas quando a comi fiquei deliciada
doce olorosa saborosa
a outra arvorezinha exibe uma copa fresca linda rendilhada
e um ramo também frondozito
no inverno costuma perder todos os ramos excepto um
além das folhas
outra arvorezinha está a crescer
será um citrino?
os trevos alargam-se nos mini-canteiros e dão folhas enormes
as alegria-da-casa também se sentem felizes
a original foi apanhada na rua
alguém andou a limpar os canteiros e atirou-a para a rua
foi há uns anos
agora floresce e reproduz-se no quintqleco
o feto é filho de um que trouxe do Porto e foi devastado pelos pintores do prédio vizinho
enfim penso que as plantinhas estão felizes
pelo menos ainda se enfeitam
crescem e reproduzem-se
não desistem





gata debaixo da cama
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quinta-feira, junho 19, 2008

ver

vizinho

na rtp1 os fiheiros secretos
batem à porta
era o vizinho do lado que não reconheci
tinha-o visto de passagem duas vezes disse ele
esqueci a cara incaracterística
coisa aborrecida
costumo fixar caras
com muitas explicações pede-me para o deixar entrar na casa dele pelo sótão da minha casa
uma das portas tinha-se aberto com o vento e travado a abertura da porta de entrada da casa dele
quando propus vir para esta casa a minha filha alertou-me para vários inconvenientes
o barulho insuportável em certas noites
o perigo de assalto visto que tinham rebentado com a fechadura da porta de entrada do edifício e tinham tentado ou feito mesmo assaltos dentro do prédio
pus muitas reticências
resumindo o vizinho disparatou que não falava mais comigo
foi buscar um arame a outra vizinha para tentar desemperrar a porta traiçoeira
propus-lhe entrar
resistiu bastante
expliquei-lhe as minhas razões
não queria saber
expôs as suas qualidades de bom vizinho
com muita "doçura" lá consegui convencê-lo a entrar e usar a janela do sótão para aceder ao dele, emprestando-lhe uma lanterna para se desenvencilhar melhor
enquanto subia para o telhado ia dizendo que não me preocupasse que não quebraria nenhuma telha
conseguiu entrar em casa
entregou-me a lanterna pedindo desculpa por ter ficado cheia de pó
pedi-lhe desculpa
teve dificuldade em aceitar
creio que fiz um inimigo
que remorsos tenho
mas não sei se agi bem ou com demasiada cautela

quarta-feira, junho 18, 2008

velha casa nova casa





às sete e tal da manhã o sol esconde-se atrás da chaminé
pela janela do sótão espreitam-se os telhados
no vidro a cidade aparece de pernas para o ar
os armários ainda estão vazios de livros
casa antiga
cheia de luz
arejada
pequena
bem situada
tenho alguma sorte, creio

sábado, junho 14, 2008

escrito

as pequenas águas borbulhantes
lambiam amorosamente as ervas longamente verdes
lançavam salpicos de luzes sobre as sombras adormecidas
nos côncavos dos pensamentos errantes das margaridas

as asas em silvos dos gafanhotos de esmeralda
faziam fremir as alegres esperanças dos girinos
recém trazidos ao pequeno universo das bolhas aquosas

as mãos das crianças assustavam a passarada
e refrescavam os dedos pequenos e crueis
no cristal líquido das inocentes fontes de frescura

apenas um acontecimento para sempre eternizado
para sempre repetido nas diversas hipóteses de vidas
para sempre pulsante repercutindo-se na eternidade

mfs

sexta-feira, junho 13, 2008

escrito

sempre que as portas das velhas janelas rangem
empurradas pelos ares agitados das fendas no espaço
as minhas pálpebras deixam-se cair como estores que
se cerram aos guinchos exteriores

o meu vestido de algodão azul cerúleo
esmorece

as minhas chinelas de corda e pano amarelo
parecem mais apertadas

a revista sobre o sofá encosta-se no braço recoberto
a fotografia do escritor de rosto chupado como ramsés
na capa
pull-over alvo
camisa aos quadradinhos
braços cruzados

no meu mundo físico interior começam a ressoar
os sons estendidos na rua antiga
sons que se elevam atrevidos até aos meus ouvidos
cansados

largo o computador para comer morangos
arrefecidos em excesso pelo frigorífico
em 3.ª ou 4.ª mão do anterior locatário

penso que existir é um tal desperdício
uma inutilidade os brincos nas orelhas
as dores de costas
os calos nos dedos pequeninos dos pés largos e inchados

as janelas rangentes
resmunguices de velhas madeiras empenadas
como as minhas ancas

mfs

desenhos e mais coisas

há duas noites que durmo nesta casa e por enquanto ainda não ouvi os hunos que devem ter andado por outros bairros

mas que voltarão a este neste fim de semana, segundo dizem ser o costume.

estou com o mínimo para ir aguentando aqui, até vir o grosso da bagagem da outra casa.

pela tosse que continuo a ter, as alergias também se manifestam nesta atmosfera.

hoje almocei no chinês e trouxe jantar para casa


comprei um vestido de algodão, fresco e folclórico para andar em casa e suportar o calor.


comprei também um candeeiro visto que o electricista se baldou pela enésima vez para instalar as luminárias que adquiri no ikea

estou a gastar muito dinheiro

ontem foram mais 90 € na dentista,

já vão em 390...safa!

estou a tentar adaptar-me ao bairro

para já a proximidade de galerias, fnac e outras mordomias consumistas vai-me distraindo um pouco


e o fernando pessoa na brasileira


creio que foi o lagoa henriques que fez a obra

tem servido para os turistas se fotografarem sentados ao lado do bronze


o elevador da glória anda sempre a abarrotar deles

e o da bica também


lisboa é linda dizem eles


na quarta fui à galeria

não fiz nada de jeito para já
foi dia de futebol

estava tudo um tanto agitado

quando os portugueses goleavam dois dos artistas correram a bom correr para irem ao café ver a repetição dos lances

entretanto um deles ao regressar foi surpreendido pela notícia de que queriam comprar-lhe uma gravura

todos contentes e eu aos saltos

gosto das gravuras dele e do mocinho que é um amor

aqui atrasado escrevi que faria considerações sobre os meus desenhos aqui colocados

não estou muito para análises mas cá vai

a maioria foi feita quando me inscrevi nas belas artes para fazer a licenciatura

vinha de um período em que não fazia desenho figurativo, embora tivesse feito três painéis e vários guaches, aguarelas, etc

mas nada de corpo humano nem naturezas mortas (ahahahah)

por isso desenhava tanto quanto podia a rotring sobretudo, nas belas artes, nos restaurantes, em frente à televisão, desenhos de fotos dos jornais...lembro-me de ter desenhado o otelo de um jornal

mas a mão estava perra

a largueza de traço a que tinha chegado nas aulas de sousa araújo e de mestre lapa tinha desaparecido

sentia-me infeliz com isso


com o tempo continuei a desenhar esporadicamente, sobretudo nas chatas reuniões das escolas por onde andei a aguentar os meninos,

nos últimos tempos


dantes é verdade que havia problemas e nem seria natural se os não houvesse

mas antes de me reformar tinha atingido o limite

sempre gostei mais de dar aulas à miudagem recém-chegada da primária, não tinha paciência para os problemas dos adolescentes

mas isso alterou-se com a mudança da criançada desde muito cedo descuidada pelos pais sem tempo, sem paciência e sem sabedoria para ajudar os descendentes

as coisas mudaram para mim até certo ponto com a constatação

da fragilidade daqueles jovens

passei a lembrar-me da minha atormentada adolescência
enfim, agora os meus desenhos são na sua maioria feitos com instrumentos não convencionais...cordeis, linhas, plantas, etc.
vi um noticiário em que se falava da vieira da silva e das suas cartas trocadas com a fina flor intelectual cá da terrinha

tenho uma carta dela, mas não estou nesse grupo, ahahahah,

é uma carta de rejeição

nas belas artes colegas e professores sabendo que eu gostaria de ir para paris,

aconselharam-me a escrever-lhe pedindo apoio...estético

negação zangada com quem me aconselhou, carta nada simpática

como podia ela perceber o meu desejo, ela que sempre teve o que queria, sem precisar de trabalhar fora da sua arte?

quinta-feira, junho 12, 2008

o sapato


salto agulha
numa série policial podia ser a arma de um crime
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o sapato

tudo se abandona
porque não os sapatos?
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