quinta-feira, agosto 30, 2007

cabeçalho

ando a colocar imagens noutro blog http://passarocos.blogspot.com/ que servirão para comparar e ver a imagem menos má
todas essas imagens têm senões e mesmo a melhor teria que ser mais trabalhada
o problema é que só tenho dois programinhas o picasa e o pixia nenhum deles muito bom
enfim se vos agradar minimamente alguma das imagens coloquem um sinalzinho nos comentários que pode se um asterisco
muito obrigada
ah...ainda não acabei isto vai demorar mas já estou farta das "vestais" indianas

quarta-feira, agosto 29, 2007

Aprenda a falar

mudar

ando com vontade de mudar a imagem do cabeçalho

escrito

brilhos com fulgurâncias na opacidade das noites reverbativas
calmas ondulações nos peitos habitados dos habitantes sem casa
deito sobre as águas as águas dos meus olhos crucificados
e espreito as lucarnas das cúpulas sagradas dos infinitos

revejo as lições jamais aprendidas nos cadernos enfurecidos
dos alunos incompreendidos na sua estranheza de seres inertes

que noite de inquietação gritante contra os céus incógnitos
da nossa lua deambulante qual triste noiva sem véus nem flores de
laranjeira
abolidas das tradições nupciais
plásticas
em cerimónias de fantochadas acrílicas
e construções precárias

quanta ilusão desvanecida nas mãos de jovem senhora de
provecta idade
no seu sofá sentada
televisor mudo
os arames de suas roupas em cores de ferrugem
sobre o azul dos cabelos
o amarelo das dores

e a noite que se encolhe
distende
sonha
de olhos semi-cerrados nas covas orbitais

sou?
quem?
como?
quando me imaginaram?

eu sei

no tempo sem tempo
nas costas do universo paralelo a este
onde nado confortavelmente
na piscina aquecida

m.f.s.

segunda-feira, agosto 27, 2007

poetas do #poesia

Rock'n...

E a rapariga
de olhar lânguido
sussurra:
Já há romãs?
Uma voz no vento
responde:
"Já há tudo,
sempre, algures!"
Instintivamente
eu enfio as mãos
nos bolsos.
O buraquinho
lá está ao fundo
e eu retorno
aos meus passos,
e ao comprazimento
por se preservar
bem junto a mim
um refego de imperfeição
imaculada e impoluta
como estas linhas
outro monólogo tosco
ou só mais um pouco
de Rock'n Roll.
De qualquer modo
é meu e eu gosto,
Yes I do!

Luís Melo


Amorfo

Eu estava lá e vi!
De facto, vi tudo!
Vi-o levar a chama
a bom porto
como por destino
e por isso mesmo
a um único auge
numa só realidade.
Juro que vi!
E eu que o conhecia;
estava comigo
até se inflamar
e despojar-se.
Consumiu-se-lhe a existência
cumprindo-se, enfim,
numa exaustão.
Eu chamava-lhe
corriqueiramente
... Fósforo!
Ele nunca chamou
por ninguém.
Acabou o seu tempo
numa paz justa,
a paz do meu cinzeiro.

Luís Melo


o nome abriga um copo sonoro
um telefone cingido e determinado no
encalce desigual do gato inverosímil
mas serão gáveas diminutas em asfalto terrível e quando
o meu nome germinar vagar num ímpeto
prédios irão desfalecer em arcos ou sacramentalizar este
endereço estanque e verdejante
núvem ao jovem irrisório e crente entre os
liminares dísticos do ladrilho celestial
como ter toda a confiança entranhada num propósito cavalgante
e se vejo símbolos da voz pendular ou da voz pendular
como todos os pequenos animais das cidades usadas em roupas
vagem na árvore ave raça
ou rosa que amplie todos os fazeres
seja somente o suficiente para continuar a andar devagar
deixar e deixar de ler sentir a sua cura
fechar os nervos para lá das palmas e
núbil adro de episteme nos mangues se
entre as curiosidades da carola-redundante
o nome compreende- se sem as margens visíveis dos dias
que o sendo serão
já outros e outros dias

Alexandre Moreira

domingo, agosto 26, 2007

DSC_4632 on Flickr - Photo Sharing!

DSC_4632 on Flickr - Photo Sharing!

escrito

ficam tão alegres nas manhãs sem rasto
dizem gracinhas para as borboletas nas janelas
e vomitam

vomitam as noites sem madrugadas
os fios de calor emaranhados nos cotovelos
as almas

as diversas almas que os habitam
e não sabem que não se importam
que enviam tudo para trás

as memórias
as sensações agonizantes

o frio da espada sobre a cabeça

olham para aqui
para ali
e não encontram rumo

desejam sem desejar os horizontes
a fímbria das atmosferas relutantes

acordam quando tal acontece
e vomitam

m.f.s.

quinta-feira, agosto 23, 2007

escrito

o estranho cheiro das marés embriagadas
humedece as cortinas de tafetá
os olhos partem para as viagens sem roteiro
a cavalo nas partículas olorosas

o frio das águas murmurantes
como rosnidos de animais em cio
ameaça o sono dos efebos desabusés
ao som das olfactivas provocadoras

as lentes escuras dos meus óculos
rebrilham de euforia contra os incautos curiosos
que espreitam a cor com que pintaram
as minhas janelas

parto igualmente pelas nuvens andantes
com perfumes na minha esteira


m.f.s.

Cocolate rain

ahahahaha

ontem

o n.º 124 de Le Courrier Internacional aborda a questão da felicidade
ainda só li a entrevista ao dito homem mais feliz do mundo, um monge budista de origem francesa
o entrevistador fala muito dele próprio relata as suas reticências em relação ao monge mas fiquei sem saber grande coisa aparte um pouco da biografia do
mesmo
fala também da sua alteração de opinião à medida que conversa com o monge e então tece-lhe elogios
a ler até porque há muita coisa que parece interessante
isto de chamar interessante a uma coisa irrita muita gente
aceitam-se sinónimos...

ontem fui ao CCB relaxar um pouco
pus-me a fazer vídeos com a maquineta digital
nuns casos usei uma pequena lente que herdei não sei de quem e que produz efeitos feéricos
são vídeos sem história sem imagem com som ambiente por vezes com movimento por vezes acelerado cores mutantes
vídeos que me dão gosto fazer pela descoberta que faço sem ajuda de terceiros nem leituras explicativas
não é a descoberta da pólvora seguramente mas é a minha descoberta
cada um fará as suas

no regresso a casa pus-me a fotografar o quintaleco arrastando a câmara para obter fotos desfocadas
coloquei depois algumas das fotos no flickr
inscrevi-me na second life mas ainda só voei e não sei se me interessa muito este jogo de vida ficcional

tenho tantos livros para ler...

ontem descobri a sara f. costa uma jovenzinha de 20 anos
eis um poema dela

há quem acredite
em fugas
e se estenda ao longo do incêndio mudo
dos anos mas
tudo o que eu peço é a timidez
do quarto
e um futuro que humedeça
o fumo do tabaco

sara f. costa
uma devastação inteligente
atelier

tirando o fumo do tabaco que abandonei há uns anos é o meu retrato parcial

adquiri também o Órbitas Primitivas de Paulo Renato Cardoso na quasi

Primeiras Agitações da Matéria-Eu

Outrora
Todas as coisa têm uma:
é o que são
A minha outrora
é o porquê desta rua
que sobe oblíqua para a saudade
o porquê desta calçada de granitos
que pedra após pedra me tocou na boca
e chegou ao cimo de mim

Escorrega-me a voz entre a insónia e a memória
Procuro a boca a matéria nocturna dos lábios
Responde uma respiração húmida interrompida
lavrando a aridez abrupta do meu corpo campo de batalha
planalto de labirintos inacabados.

e ainda Rui Costa

ALCABRÁS!

Alcabrás! Trompe por céus eslavos
malsames gritos de flores raiunas
Que gritos? Que marés escunas
requebram ondas de peixes bravos?

Solidões? Rochedos alticavos?
A luz treme mas o peito adorna
o infindo lume. Desce a bigorna:
faltam dois doze-e-avos

para coisa alguma. Brincava,
mas agora falo sério. O seio
da mulher já se destapa. Cá

para mim acho que não é no meio
que a virtude poisa. É lá
onde o amor morria e o inferno queimava

A Nuvem Prateda das Pessoas Graves
quasi

terça-feira, agosto 21, 2007

segunda-feira, agosto 20, 2007

escrito

os homens felizes beijam a terra abraçam as árvores
usam atrás da orelha um ramo de oliveira
à noite despedem-se dos astros antes de dormir

as mulheres felizes têm amores impossíveis
para poderem esperar eternamente o
príncipe encantado

vivem de esperanças deseperadas
como nas telenovelas
cultivam a vida imaginada das fictícias heroinas
do pequeno e do grande écran

sem isso seriam infelizes


m.f.s.

sexta-feira, agosto 17, 2007

escrito

morro de vez em quando
diante dos espelhos envelhecidos
a chávena de café vazia e perfumada

escrevinho nos tampos das mesas
das esplanadas nascidas
à beira-mar

escrevinho e risco
e apago
e leio
e releio

à beira-mar posso ouvir
os búzios gigantes
o vento que sibila longamente
perder-me entre as cintilações
da vasta toalha de vidros
do longo caminho de águas

enquanto morro
de vez em quando
solto os murmúrios
há muito guardados
na minha caixa de pandora
sei que irão contaminar as almas
sem alma
esventrar-lhes as escondidas
histórias
de vidas sem verões
roubar-lhes a doçura dos rostos-cor-de-rosa
desfazer-lhes as tranças
rasgar-lhes as brancas vestimentas

enquanto morro

m.f.s.

quinta-feira, agosto 16, 2007

escrito

eram elas as gaivotas listradas como zebras
que pela manhã acordavam os caçadores de algas
com seus trinados da maria callas estendidos até
ao acordar dos gansos e de toda a criatura vivente

as ruinas dos castelos de areias estremeciam
com o voo rasante dessas imitadoras de ovnis
as ameias desmoronavam-se mais um pouco
e pintalgavam as costas dos caranguejos amarelos

em sobressalto os flamingos esbaforiam-se de rosas
os pelicanos vomitavam os peixes descarnados
e até os golfinhos perdiam o sorriso de seduções
as ostras ficavam indiferentes e lançavam suas pérolas

era então que as ditas gaivotas se esbaforiam também
ao ver os nácares preciosos nos fundos das belas águas
embatiam umas nas outras na pressa de chegar primeiro
mergulhavam afoitamente para as maravilhas de pôr

ao pescoço

m.f.s.

escrito

está roxo o alvor

recaem sobre os campos
os fragmentos de chuva
e cortinas de névoa vagueiam pelos
olhos
das jovens gazelas

quem me contará uma história
de fadas

quem me dará a varinha de condão
para espantar as aves
agoirentas
que poisam nas minhas
janelas

quem me levará pelas nuvens
no mágico tapete
oriental

sandokan que venha
me liberte
dos afoitos piratas

me leve no seu barco voador
atá às ilhas
onde o paraíso permanece

que o inspector maigret
descubra o meu
assassino
enquanto bebe uma cerveja
num qualquer botequim
da província

venham todos os heróis
da velha grécia
antiga roma
naturais da suméria

vinde todos
com os anjos salvadores
fazei o transporte do tempo
para a eternidade
para a amável harmonia
dos opostos
para a linha espiralada
que conduz à plenitude

daqui
desta montanha imóvel
no horizonte perdido da memória
daqui levantarei voo
num crepúsculo
cintilante
de infinitas luas
entre sinfonias e aleluias

m.f.s.

quarta-feira, agosto 15, 2007

escrito

ando de pedra em pedra soltas as dissonâncias
dos tempos em tumultuosos arremessos
as cantorias pelos socalcos soltam os
assobios das serpentes
as cascatas apressam as suas águas

tenho de apagar a luz

tenho de fechar as torneiras
limpar as janelas
escorraçar as baratas voadoras
sorrir às formigas
varrer o quintal

lavar a louça
a roupa
o corpo

talvez a alma

suspendo-me das músicas nos terrenos
baldios
agarro escrupulosamente uma rajada
direcciono um raio
para o crocdilo
à minha janela

fecho os olhos

abro os olhos
sobre os vulcões de suspiros

penteio displicentemente
os cabelos

m.f.s.

sábado, agosto 11, 2007

família

 
daí para cá já nasceram dois bébés e um terceiro vem a caminho
Posted by Picasa

Mamã

 
sentada
na Ponta do Pargo
Posted by Picasa

Tio Vasco

 
Na Ponta do Pargo
Posted by Picasa

prova de ensaio

 
prova de ensaio modificada no Picasa
Posted by Picasa

lindo!

recomendo vivamente
http://naturalissima.blogspot.com/

quinta-feira, agosto 09, 2007

compras

ontem falei com a minha filha no msn
disse-me que tinha comprado o porque não sou cristão do bertrand russell
que em tempos eu lhe falara muito nele
lembrei-me então da importância que russell tinha tido na minha vida e
fiquei com vontade de reler o em busca da felicidade
fui à fnac
os livros constavam nos ficheiros do computador mas não na estante
frustração
resolvi dar uma vista de olhos ao que havia nos placards vizinhos
perdi a cabeça (mas voltei a encontrá-la)
comprei criadores de paul johnson
a nuvem do não-saber dum anónimo (inglês, penso, mas ainda não tenho a certeza) do séc.XIV
acreditas? de antonio monda
e em poesia comprei o poeta nu poesia reunida de jorge de sousa braga
tenho uma edição mais reduzida
e inkz antimanifesto para uma arte incapaz de boaventura de sousa santos
e depois foi o descalabro
comprei um pacote de três filmes de ingmar bergman
e ainda música de pergolesi e a kalinka que já não ouvia há anos
depois fui à zara casa e adquiri uma bela caixa de mármore para pôr em
cima da mesa do mesmo material feita pela irene buarque

ai como estou consumista e tola...
desculpem

irei colocando no blog divagações trechos dos livros comprados
é ir lá

terça-feira, agosto 07, 2007

escrito

mataram os pintarroxos todos
uma mortandade extravagante
porque três ou quatro desses seres
não chegavam para tirar o sono
a ninguém

contudo uma mãe pintarroxo
tinha tido um pressentimento
e habilidosamente foi colocar
os seus minúsculos ovos
num ninho de mãe cuco

como se sabe os ovos de cuco
costumam ser chocados
por vizinhos de outras etnias
e assim a mãe cuco sem
perceber o que se passava
pois já tinha depositado
a futura descendência num
ninho de pterodáctilo
resignou-se ao que ela pensou
ser falha de memória sua
e lá fez o trabalho de mãe
muito contrariada

mas a pequenês dos ovos
aumentou ainda mais a sua
inquietação com a pureza
da sua linhagem ou dos maridos

quando os pequenitos decidiram
eclodir foi um estardalhaço
naquele ninho - um dos pintarroxos
que não sabia que estava no local
errado à hora errada etc
lançou um trinado de ave esfomeada
saída com muito esforço do ovo

desta vez foi mesmo o carmo
e a trindade que desabaram
e com eles o ninho usurpado
devido ao estremeção da mãe
cuco ao confirmar a degenerescência
da sua prole

não era costume os cucos serem
tenorinos

m.f.s.

sombras

escrito

Vês estes riscos nos vidros das minhas janelas viradas a sul?
A vincada marca de agonia numa transparência inaudita?
Saberás que seres nesta galáxia terão desenhado tal gesto de socorro?
Ouviste alguma vês nos teus sonhos de quietude o esvoaçar de penas
O guincho de horror os sons indetermináveis o roçar do desespero
Contra os vidros das minhas janelas viradas a sul?
Acordaste alguma vez sentindo que precisavas de lembrar-te do sonho
Que qual brisa cálida se afasta de ti com a rapidez de um desafio?
Tentaste agarrar alguma vez o teu pensamento volátil cheio de pistas
Que solucionariam o mistério dos roucos sons de fim de vida
De que sobram os rastos desesperados nos farrapos dos teus sonhos?
Jamais estás atento aos teus indícios incrédulo que és e sonhador sem causas.

m.f.s.

Elizabeth Bishop

estava a ver um daqueles típicos filmes americanos sobre desavenças familiares e uma das protagonistas leu o seguinte poema:

One Art


The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

Elizabeth Bishop

segunda-feira, agosto 06, 2007

carotte

 

vento plástico

vento no quintal

toldo

agora que aprendi a postar vídeos vão ter que ser pacientes, pois vou mostrar experiências que só a mim interessam
ehehehe

gatos

escrito

entretanto posso dormir e
acordar com o barulho do martelo pneumático
na rua das trazeiras
sobrepor imagens aos pensamentos
supor-me um robot
bem educado e sentimental
abrilhantar as vestes metálicas
com a velha solarine
encomendar um chapéu de cobre polido
ensaiar uma voz de castrado farinelliano

poderei
imagino
recriar o despertar dos vermes mensageiros
de vidas por descobrir
encaminhar as vítimas de holocaustos negados
pelas veredas floridas dos martírios
conduzir os periclitantes amadores
de venturas terrestres
aos haustos das felicidades
endeusadas

poderei tudo

mas desse tudo quererei apenas
ser plenamente eu
na minha invisibilidade
no meu para sempre inacabado esboço
na minha condição de sombra
de mim mesma
hipótese embelezada
de planos sem viabilidade

poderei voltar a adormecer
e regressar ao limbo nublado
dos sonhos sem sobressaltos de
martelos pneumáticos
na rua das trazeiras

m.f.s.

domingo, agosto 05, 2007

sábado, agosto 04, 2007

2001: A Space Odyssey Dawn Of Man

Na minha lista dos melhores

Tarkovsky - Stalker

O meu realizador preferido.

FRENESI - Livros: Ocasionalmente ocupado a tomar notas (40)

FRENESI - Livros: Ocasionalmente ocupado a tomar notas (40)
 
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escrito

o meu vou-me embora é
apenas
a sonorização de uma ideia
a carpette para a porta
além da qual se guardam as lembranças
se esquecem as dores
os porquês descabidos
da ignorância sistematizada

a porta que é a
abertura fulcral
para o encontro de cada um
consigo mesmo
é também o compromisso
para o conhecimento
a cadeira de rodas
que nos conduz ao espanto
deslizando musicalmente
pelo veludo dos caminhos
perdoados de nós

vou-me embora
não sei quando

m.f.s.

escrito

um ruído aos soluços
que impregna de libélulas
azuis
o ar das praias quentes

as gotas de cristalino suor
nos rostos rosados
das brancas raparigas

o sol
o forno celeste
as névoas tremeluzentes
que sobem dos alcatrões

o grande êxodo
das formigas
e das cigarras
para areias finas
e loiras

o desejo exigente de
mergulhar
nos céus afastados
nos intervalos
entre galáxias

a pressa de correr
pelas sendas ainda verdes
nos matagais
rumorosos
de insectos felizes

o virar do rosto aos suaves
ventos dos cimos
a captação dos
odores

das visões entre dois
espaços
das melancolias
passageiras
intermitentes

as recordações
improváveis de
outras vidas
noutros tempos
de pazes e guerras
olímpicas

vozes que se distanciam
nos corredores abertos
das paisagens
vídeo-construidas
e coloridas

virar
virar à esquerda nesta
premente
e permanente
agonia do nunca
do apenas esboço
do não planeável
do indizível
e invisível

invisível

m.f.s.