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Porque se trata de uma mulher com um universo
devastado, trazida pelo anjo, com os seios agrafados
numa pintura. De uma terra longínqua, onde a lua
desce contra o chão e os barcos sobem pela espuma
engolindo as ondas. O cavaleiro salta para uma nora,
tem um corte de tesoura na testa e pela primeira
vez fala de uma paixão que habita no interior da sua
sombra. A mulher acorda no outro lado das sebes,
na claridade. Nesse atalho, por onde passa o sangue,
vê reflectidos os magníficos ganchos das suas mãos. Um cesto
deitado sobre uma placa de mármore e uma esteira
enfeitada de lírios brancos, tudo no espaço de um
espelho atravessado pelo corpo do jovem amante,
enquanto o cavaleiro se perde na mata, mortificado
pelas pedras quentes de uma bruxa.
Jaime Rocha
ZONA DE CAÇA
Relógio d´Água
agustina bessa-luís / férias
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As férias são uma coisa do passado. Não me lembro de ter férias pelo menos
desde que se inventou a agricultura, desde Caim, aproximadamente. Noutros
t...
Há 10 horas





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