eis
o presente que se estende até ao futuro
em carne viva
engolindo o passado proscrito
ostracizado
até às brumas
do esquecimento
as íntimas paisagens
impressionistas em sois poentes
as silhuetas de estranhos
convidados no celestial banquete
condimentado pelo remorso
do tempo vazio
o expressionismo da vida
em suspensas lianas
ferozmente abanadas
pelos ventos solares
pelos batimentos dos corações
destruidos
a espera
o desespero do destino incompleto
trazido pelo mar até
à nossa porta entreaberta
a certeza do encobrimento do nosso rosto
para sempre invisível
intangível na sua etérea essência
não nascido neste universo
a imensidão dos escolhos nos caminhos
transversos
as bátegas de ironias que escondem
o imo da vida alheia
altas as vozearias dos inanimados
o medo
a dor escondida da incompreensão
a sensação da inutilidade
de tudo
da nossa existência
em sonhos nunca perpetuados
a ignorância do projecto
final
das razões implícitas e inexplicáveis
do passado
do presente
do futuro
a imediata certeza do motor
inicial
em êxtases divinais
mfs
emanuel jorge botelho / claro/escuro
-
faço o quê com a amargura?
guardo-a no bolso,
ou ponho sobre ela o peso de um dia aziago?
talvez o mar me salve, ou me converta,
talvez a terra seja o ...
Há 8 horas
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