sábado, março 10, 2007

Botão de flor

 
Posted by Picasa

As primeiras flores do quintaleco

 
Posted by Picasa

Montra

sibilas

as colchas eram de seda
em tempos idos
os noivos deleitavam-se na
brancura macia
supunham
que era para sempre

os mortais sonham com o
para sempre
enquanto se vão
enterrando em
cemitérios floridos
baptizando em frias pias
baptismais
casando de rendas
tules
sedas
tuxedos

os mortais

olham-se na transparência dos
olhos
vêem mundos irisados
tapam os cenários lúgubres
iludem-se

iludem-se
porque se vale a pena viver
é pela ilusão

é pelos meandros da
nossa pele que passa
a macieza das colchas
em seda

as películas opacas
que escondem as noites
escuras
têm duas faces
qual delas a mais
ilusória

qual delas a mais
sedutora
a mais volátil
a mais irresistível

serpentes encantatórias
no colo das sibilas

m.f.s.

sobre

sobre o amor não falo
sobre o amor só falo
mentiras

as verdades são falsidades
sobre o amor

só há precaridade no amor

é claro que só falo sobre o amor
verdadeiro

mas mais verdadeira que a
falsidade do amor
só a verdade das precaridades

sentimentais

a utopia é o verdadeiro amor
além disso só
aproximações
geométricas

quanto mais me aproximo
de ti
mais longe
estás

assim
que é o amor senão uma
fórmula matemática
ainda por solucionar

imagino
acredito
enquanto acredito


m.f.s.

sexta-feira, março 09, 2007

o poeta

o poeta de esquina não vê a
sombra com que o
candeeiro suspenso
escurece o chão sob os
seus sapatos amarrotados

discute com o seu
anagrama
a forma da palavra
que lhe escapa

o sentido do vulto
fugidio
em contra-luz

ensemisma-se
enquanto o
candeeiro lhe desenha
sombras de
morcego

não entende as vozes no
espelho
as simetrias das
oposições
as texturas das
nuvens em remoinho

cogita

m.f.s.

pombos

os homens

os homens que caminham sobre a neve
e cujas sombras se dobram no horizonte
derretem no peito o gelo das mãos dormentes
bebem a água das encruzilhadas
tapam os olhos com as estrelas que restam
nas fogueiras extintas

os homens erguem os braços como árvores
decepadas

os homens murmuram pensamentos
como relâmpagos

os homens fazem por esquecer os verões
férteis
o pó amarelo dos pinheiros em flor
as unhas carminadas das amantes
as águas que se despenham nos malmequeres
ressequidos

traçam pistas fundas nas brancuras infernais
sob os seus pés desesperados
caem sobre os lençois de frios
adormecem em sonhos violeta
a alma em negro de ébano

m.f.s.

quinta-feira, março 08, 2007

O Paulinho

http://www.youtube.com/watch?v=JmkLahnDxKU&eurl=http%3A%2F%2Fintervencaomaia%2Eblogspot%2Ecom%2F
http://intervencaomaia.blogspot.com/

Família

Em princípios de Junho a família vai reunir-se pela primeira vez, no centro do país a meia distância entre o norte e o sul. Virão à volta de 40, se viessem todos seríamos mais de 70. Os encontros anteriores, com gente sempre em falta, eram em funerais e casamentos.Vem uma sobrinha de Inglaterra. A minha filha, "néo-asiática", como ela diz, não vem. Dois sobrinhos de Luanda também não. Um sobrinho do norte já fez um blog com o nome da família. Vou ver se também colaboro.
Veremos se este encontro tem repetição.

quarta-feira, março 07, 2007

Desenho



Na casa do retrato de que falo mais abaixo, encontra-se este desenho meu a carvão e pastel.
Às vezes tenho pena de ter vendido alguns dos meus trabalhos. Este é um deles.

Retrato



Em tempos pediram-me para fazer um retrato. Não gosto de fazer retratos, sobretudo os que têm de ser "parecidos" com os retratados.
Lá fiz o retrato em tela e tintas acrílicas. Quando ia à casa do retratado, reparava que as cores do retrato iam ficando cada vez mais escuras.
Não me surpreendeu muito, porque acontecia sempre um certo escurecimento, tanto com tintas acrílicas como com tintas de óleo.
Hoje verifiquei que as cores pareciam não se terem alterado muito, ultimamente. E até, em certas zonas ficaram mais bonitas.
Veremos que mais acontece.
Este retrato caíu da chaminé e rasgou-se. Nunca tinha restaurado nenhuma tela. Lá recuperei o quadro, de forma amadora, mas, enfim, razoável.
Ainda não voltei à galeria desde que regressei de Singapura. Espero ir na sexta-feira.
 
Posted by Picasa

perfume

vou deixar este botão de
rosa sobre a mesa

devagar vai abrir-se
perfumar a
toalha
murchar
perder as folhas

quando chegares do
deserto da tua vida
já não haverá qualquer
rosa


mas talvez rastos de
um perfume delicado
persistente
único
à tua espera

m.f.s.

House

 
Posted by Picasa

House

 


...à minha maneira
Posted by Picasa

terça-feira, março 06, 2007

Música

Aprendi no blog do canal poesia a colocar música aqui. Mas só ouve quem quer...
Assim, se quiserem experimentem ouvir a música que escolhi. Qualquer dia tiro tudo e ponho outras. Também na música os meus gostos são muito diversificados.

segunda-feira, março 05, 2007

ícaro

o homem que deambula pelos corredores
das imposséveis naves dos seus desejos
encontra os estilhaços dos seus tormentos
nos labirintos da sua consciência

torna-se no imprudente ícaro surdo aos
avisos da experiência
às fatalidades da matéria

sobe aos céus ainda não ressuscitado
oscilante vulto contra o azul do éter
desfeitas as perecíveis asas em pesadas
gotas que se solidificam nas águas
dos mares antigos

os dédalos são impotentes para o resgate
do sangue do seu sangue

cada ícaro tem apenas o seu par de asas

m.f.s.

domingo, março 04, 2007

por vezes

sob a pluma do poeta
ensimesmado
corre a linha
desliza a linha da palavra

que agarra outra linha
outra palavra
e como no tear ancestral
tece a renda do texto
borda as cores
dos inaudíveis sonhares
abismais

entrelaça o pensar
deslumbrado
entontecido de desmaios
singelezas outonais
nos campos
das cegueiras múltiplas

desengonça as infiltrações
escondidas sob as
peles esburacadas
de bailarinas células
constroi e
desconstroi
o universo finito
das imitações criativas
faz-se sombra de deus
seu objectivo final

por vezes

m.f.s.

acordar

acordaste num limbo de
estranhezas

rejeitas a paisagem

partes só
pela vereda solitária
que escolheste

m.f.s.