há uns tempos atrás ao subir uma transversal reparo num corpo deitado no passeio
coberto com um cobertor cinzento
só se viam os ténis e umas pernitas quase peladas
aproximei-me e tentei ver se respirava
o cobertor não mexia
pensei que alguém estava morto e ninguém ligava
o rapaz à porta da loja fronteira informou-me que estava lá desde manhã cedo
e encolheu os ombros quando me admirei por ninguém se importar
tonta como sou angustiei-me e chegada a casa liguei para o 112
ficaram de ir lá ver
dias depois encontro o dono da loja
riu-se quando perguntei se o corpo era de um morto
é um rapaz de barbas que anda por aí
o rapaz estava com uma grande piela...
tempos depois fui ao banco
era domingo
perto das caixas multibanco e quejandas um homem dormia
olhei com atenção
respirava
manuel antónio pina / saudade da prosa
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Poesia, saudade da prosa;
escrevia «tu», escrevia «rosa»;
mas nada me pertencia,
nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou que sabia.
E s...
Há 1 dia





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