chega o calor e eu que tenho de ir à outra casa buscar uma cama de campismo
a gata miava alto como uma danada
a c. não lhe limpou a sanita e a bichana estava aflita
já fui à outra casa
sempre desejei que um anjo me levasse pelo ar quando estou cansada e tenho de sair
não sei se foi esse desejo antigo que finalmente foi ouvido
mas quando saía da cave carregada com as tralhas
senti necessidade de agitar os braços carregados e dar uns saltinhos
e resultou
uma ligeireza tomou conta de mim e lá vou eu pelos ares
leve como uma daquelas sementes de cabelos cintilantes
que por vezes nos entram pela janela adentro
e foi pela janela que entrei
espantando a gata que cada vez me exige mais atenção e compostura
ouvia-a pensar
esta nunca mais aprende com a idade
manuel antónio pina / saudade da prosa
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Poesia, saudade da prosa;
escrevia «tu», escrevia «rosa»;
mas nada me pertencia,
nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou que sabia.
E s...
Há 1 dia





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