os amores inodoros das pensantes cacafonias
em requebros de tentadoras ninfas
formadas em bastidores hollywoodescos
lançam sobre incautos desamados
suas ilusórias indústrias
a toda a força incutidas nas epidermes
desprotegidas
memórias plantadas no fértil terreno
dos imaginativos
chás de olorosas ervas numa grinalda de
folhas maceradas
no sangue dos adormecidos
enrolam-se nas cinturas dos bacos de
passagem
amarelecem as roupas virginais das
noivas de ocasião e seus parceiros
amputados em cerimónias de santo antónio
nos adros das decadentes catedrais
dos futuros abandonados
à sagacidade dos contrários
erguei-vos metafóricas donzelas
ceifai as espigas florescidas
antecipadamente
segui os trilhos das aranhas
azuladas de desejo
comei os açúcares envenenados
nas garrafas outonais dos vossos abrigos
até breve
crentes
a perfeição não é imutável
m.f.s.
antónio pedro / devagar
-
X
Sei lá das coisas que eu não fiz, apenas
Nunca tive remorso de as fazer…
Não tenho mágoas nem penas,
Tenho apenas
Muita pena
De não ter
Esses remorsos...
Há 23 horas
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