deixo-vos nas mãos dos algozes enamorados
serrilhas afiadas contra o peito
desejo-vos boa sorte nas noites expurgadas de bonomias
sem glórias ferrugentas
espero-vos à saída das igrejas arruinadas
sobre fundos de mares esmeraldinos
céus vermelhos de nublados apocalipses
minhas asas carnavalescas apoquentadas
pela fragilidade das amoras silvestres
semeio nesses corações de papier maché
a revolta dos trevos alentejanos
nas curtas primaveras de senis cenários
colho da alma alguns desejos acamados
nas longas noites do inconsciente
fujo
fujo de mim
m.f.s.
antónio pedro / devagar
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X
Sei lá das coisas que eu não fiz, apenas
Nunca tive remorso de as fazer…
Não tenho mágoas nem penas,
Tenho apenas
Muita pena
De não ter
Esses remorsos...
Há 23 horas
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