ARANHAS
Inventam o crime.
Inventam a arma
Inventam a música da sedução.
Aguardam que a vítima se invente
a si própria
e em seguida destroem-na ...
para se recriarem.
A cerimónia tem lugar
no lado de fora de um labirinto.
Dentro dele
o Universo desenvolve a arte de inventar,
institui os fundamentos do prazer
e do pânico
modelando cuidadosamente
a máscara da morte.
Tudo para que a vítima seja exemplar
E que na sua multiplicidade
Seja una.
Só assim as aranhas
podem continuar a garantir
a inexplicável passagem
do tempo.
Laureano Silveira
Os Retratos
OS OUTROS
Antologia De Poesia Portuguesa:
anos 80 e depois
Coordenação, prefácio e notas de
Leopoldino Serrão
editora ausência
antónio pedro / devagar
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Sei lá das coisas que eu não fiz, apenas
Nunca tive remorso de as fazer…
Não tenho mágoas nem penas,
Tenho apenas
Muita pena
De não ter
Esses remorsos...
Há 23 horas
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