Pratiquei a minha arte de roseira: a fria
inclinação das rosas contra os dedos
iluminava em baixo
as palavras.
Abri-as até dentro onde era negro o coração
nas cápsulas. Das rosas fundas, da fundura nas palavras.
Transfigurei-as.
Na oficina fechada talhei a chaga meridiana
do que ficou aberto.
Escrevi a imagem que era a cicatriz de outra imagem.
A mão experimental tanstornava-se ao serviço
escrito
das vozes. O sangue rodeava o segredo. E na sessão das rosas
dedo a dedo, isto: a fresta da carne,
a morte pela boca.
- Uma frase, uma ferida, uma vida selada.
HERBERTO HELDER (1930)
Ou o Poema Contínuo
francisco brines / apontamento de viagem
-
* (De automóvel)*
As janelas reflectem o fogo do poente
e flutua uma luz cínzea que chegou do mar.
Quer ...
Há 22 horas
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