desde ontem construo miragens
nos cenários das minhas cidades flutuantes
desde ontem rasgo mapas ultrapassados
com países apagados em mares cegos
calo a palavra desfaço os ventos dos génios
incautamente saidos das lamparinas
corto o cabelo com o punhal de otelo
escavo na madeira das minhas portas fechadas
o símbolo das noites esvoaçantes ocas de ruidos
prenhes de brumas em constante mutação
avanço pelo deserto onde as aragens desenham
os caminhos dos condenados à sede insaciável
e onde se abre o sésamo dos meus tesouros
olho para trás e vejo-me em peregrinação
rumo ao primeiro tapete de folhas do meu outono
mfs
antónio pedro / devagar
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Sei lá das coisas que eu não fiz, apenas
Nunca tive remorso de as fazer…
Não tenho mágoas nem penas,
Tenho apenas
Muita pena
De não ter
Esses remorsos...
Há 16 horas
2 comentários:
olho para trás e vejo-me em peregrinação
rumo ao primeiro tapete de folhas do meu outono
Gostei muito.
"...o sésamo dos meus tesouros..."
E uma caverna cheia de coisas maravilhosas...
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