eu deixo
eu deixo não deixar
no abandono do desencaminhar
ao escurecer das mentes enfurecidas
pelo amor das paredes vazias
dos castelos em espanha
com picasso ao fundo
e goya
na preguiça da benfazeja surdez
e a amante
de mantilha sobre o corpo
prestes a desnudar-se
sobre a chaise-longue
de jade translúcido
saturno no seu repasto infanticida
amarelo e vermelho
de fogos-fátuos
de zoombies haitianos
vou para aqui
venho de cá
seguirei para trás
envio-te uma rajada de borboletas
hoje estou num intervalo
numa eminência
numa falésia de açúcar mascavado
desejo abrir a boca das conformidades
esconder a cabeleira judia
chorar no muro de jerusalém
desconfiar dos mortos adormecidos
erradicar as excelências
empardecer os ocasos
regar as nuvens
olhar de pálpebras cerradas
ver aparições marianas
e extra-lunares
esmaecer
desaparecer
nas muralhas de jericó
subir as colunas de hércules
comandar o colosso de rhodes
abarcar as extensões capilares
fazer estremecer a atlântida dos meus sonhos
mergulhar no triângulo das bermudas
seguir a linha do infinito
amanhecer
maria gabriela llansol / o começo de um livro é precioso
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A rapariga contava. Eu, que por acaso a ouvia, escrevi:
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Há 17 horas
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