num canto desarrumado da minha mente
uma sombra se esgueira
um vento se desenrola até às janelas fechadas
as poeiras inquietam-se em pequenos remoinhos
abrem-se gavetas cheias de nadas incolores
a sombra espreita sempre
por vezes afoita-se a dançar em volutas
como uma longa
tira de escuro papel
flexÃvel
manobrada pelos ventos
de microclimas
tentei rasgar a sombra um dia
com os punhais dos meus olhos
a sombra multiplicou-se em inúmeras
partÃculas
irizadas
formas coloridas encheram as gavetas
ainda abertas
m.f.s.
franz kafka / diários
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1911, 19 de janeiro
Como pareço estar completamente arrumado – durante o ano passado não estive
acordado mais do que cinco minutos – terei de desejar...
Há 9 horas