Lugares comuns
Algures
entre um olhar de soslaio e um meio sorriso
um rosto fechado uma sombra
de raspão
um gesto fugidio
nessas zonas intermédias do lusco-fusco
das meias tintas
tons neutros
formas indecisas
inocências perversas
aà onde tudo se pressente e nada se toca
vais dizer-me que é possÃvel
transformar o nada em tudo
construir palácios sobre areias movediças
acreditar em impossibilidades sonhadas
saborear a cor dos raios gama
banhar-se no som das tubas
Dir-me-ás que
o céu não é o limite
que mais para além um buraco
negro
no centro da galáxia
espera por nós para nos
reconstruir no universo da utopia
lá onde basta
estender um desejo
dar-lhe asas de tule
e soltá-lo nas rotas
das inomináveis certezas
que nos esperam
desde o dealbar dos tempos
Noémia Sandwoman (m.f.s.)
sebastião belfort cerqueira / vento
-
Já ninguém ouve o vento
Mas se ouvisse
O que é que nos salvava
Se um só vento forte
Se o mesmo vento norte
Varresse o vale de vida
E nos mentisse?
...
Há 10 horas
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