O REGRESSO
Só peço um pouco de água das nascentes da
tua boca,
ao regressar a esta praça vazia,
onde as aves de cinza desaparecem no ar.
Naveguei todos os mares, sabes,
e já não me lembro em que porto deixei os
últimos sinais da minha vida,
um espelho,
um punhal de madrepérola,
uma madeixa de cabelos com a misteriosa
luz das primeiras ilhas.
Regressei para dizer-te, para gritar,
que não vi pelo mundo
a equívoca bondade dos homens,
e se algo fiz, se algo semeei, foram as
terríveis sementes da ira.
Regressei para matar e morrer, dizes,
enquanto te afastas pelo lado das
açucenas.
José Agostinho Baptista
Anjos Caídos
Assírio & Alvim
antónio pedro / devagar
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X
Sei lá das coisas que eu não fiz, apenas
Nunca tive remorso de as fazer…
Não tenho mágoas nem penas,
Tenho apenas
Muita pena
De não ter
Esses remorsos...
Há 17 horas
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