VEM UMA MUDANÇA
NO TEMPO DO CORAÇÃO
Vem uma mudança no tempo do coração
secar a sua seiva, e um brilho que nos fere
vibra no interior glacial do túmulo.
Transforma-se na cidade das veias
a noite em dia, e movem-se ali os vermes
sob o reflexo solar do próprio sangue.
Vem uma mudança ocultar nos olhos
os ossos da cegueira, e então o ventre
mergulha na morte como o aparecimento da vida.
A escuridão no tempo dos olhos
encontra-se com a luz; a profundidade do mar
rompe sobre uma terra sem arestas.
A semente, que gera dos flancos um bosque
vem dividir o seu fruto, e cada metade
derrama-se lentamente no vento adormecido.
O tempo ao percorrer a nossa carne e os ossos
fica húmido e seco; o que desperta e o que morre
junto dos olhos são como dois espíritos.
Vem uma mudança no tempo do mundo
transformar um espírito no outro, e cada criança
na sua mãe amolda-se sob uma dupla sombra.
Assim é arrastada a lua em direcção ao sol,
da pele são removidas as andrajosas vestes,
e o coração abandona-se à morte.
Dylan Thomas
A Mão ao Assinar este Papel
Trad. e prefácio de Fernando Guimarães.
Bilingue
Assírio & Alvim, 1990.
álvaro de campos / quando nos iremos, ah quando iremos de aqui?
-
Quando nos iremos, ah quando iremos de aqui?
Quando, do meio destes amigos que não conheço,
Do meio destas maneiras de compreender que não compreendo,
D...
Há 15 horas
Sem comentários:
Enviar um comentário