brilhava a pele do doce lagarto apaixonado
sob as ervas amarelas da ilha escondida
nas brumas róseas sonoras e mutantes
vibrava o coração do belo lagarto
em taquicardia apressada
aquecia o sangue do dragão
à espreita do sonho enamorado
pela sereia escamosa
cantadeira momentânea
sedutora dos ulisses mal
precavidos
soltava o lagarto a bífida
língua
atraída pelo voltejar
do insecto desafiador
finalmente capturado
finalmente inserido
na natureza lagarteira
esfomeada
de insectos e sereias
mfs
zbigniew herbert / o nosso medo
-
o nosso medo
não usa camisa de dormir
não tem olhos de coruja
não levanta a tampa
não apaga a vela
também não tem o rosto de um cadáver
o nosso medo...
Há 10 horas
Sem comentários:
Enviar um comentário