houve uma infância
lembram-se as avós das fadas dos recantos
iluminados em sótãos imaginados
falam as avós das visões dos mares internos em remoinho
das nuvens baixas que molham os rostos das crianças
das flores que se fanam antes de abrirem as corolas
dos pássaros palradores nos ramos tardios dos carvalhos
dos pavões e dos seus gritos premonitórios
recordam as avós os natais ensombrados pelos fantasmas às janelas
as procissões cheias de açúcar nos tabuleiros das oferendas
os naperons de papel sabiamente recortado
choram baixinho as avós pelas asas que perderam
nas páscoas de giestas e de pombos
contra o cetim roxo
m.f.s
sebastião belfort cerqueira / vento
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Já ninguém ouve o vento
Mas se ouvisse
O que é que nos salvava
Se um só vento forte
Se o mesmo vento norte
Varresse o vale de vida
E nos mentisse?
...
Há 10 horas
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