quinta-feira, fevereiro 28, 2008

de passagem

as manhãs desaparecem
longamente revividas nas
noites brancas
em branco
as doces mãos de forte ressonância
devolvem-nos o ondular dos cabelos
em fios de seda mongólica
meu coração não sabe
não sabe da vida a trama
das paisagens os arames
farpados
os devotados unicórnios
correm como cometas
em cápsulas do tempo
intemporal
sonhar não fazia parte dos
meus planos
eu que só sonho ao crepúsculo
e correr pelas veredas
com trevos nas bermas
levar-me-ia a tempos
esbatidos
mas vou
irei
de saltos rasos
até aos miradouros
das serras escondidas
nas aguarelas chinesas
os tritões
dos rios em tumulto
não intimidam a minha timidez
melancólica

mfs

domingo, fevereiro 24, 2008

silêncio


até breve...talvez
 
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sexta-feira, fevereiro 22, 2008

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

do tal bog...

fworld
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Camaradas, companheiras, companheiros, minhas mais queridas leitoras e leitores para todo o género, frères humains, bloggers do petit monde portugais, em português de Portugal muito bom dia que a noite promete cair-nos em cima com mais 41 livros editados a juntar aos de ontem. Pelas contas do Pedro são estes os números da crise, qual crise? editorial, livreira eu sei lá, crise com cara de crise que vai de bem com a expressão do descontentamento que arrastais pelas ruas do meu país de poetas, escritores e editores agora contados por muito mais que as mães.

Impressionante o blog dos auto-denominados consultores editoriais Booktailors com blog activo de malta, desculpem, profissionais que oferecem serviço, dão dicas e vale a pena visitá-los para ter uma ideia do que «está a dar», em suomi diz-se zeitgeist. Pudera, 15 mil livros por ano já representam negócio e justificam estes tailors, agentes a sério ou na brincadeira também, de tudo e muito e haja saúde. Com que então, seus poltrões editores, andam com falsa melancolia a tiracolo? Quem diria, cambada de teatreiros com direito a generalização abusiva que hoje sou mãos largas.

O que aqui me traz a esta página branca, igual à da angústia do escritor que quer ser escritor, são ainda mais números mas dos que falam francês pois convém perceber as escalas. Nas costas deste envelope anotei que, por ano, a Allia recebe cerca de 1800 originais, forma de dizer, claro, contra os 7000 da Albin Michel, os 4000 da Grasset e os 5000 da Anne Carrière, a editora de Paulo Coelho. Desta quantidade de candidatos à palavra publicada, 90% não lerá o seu nome impresso senão na famosa lettre de reffuse junto com a obra incompreendida pelo editor à espera do talento, chamemos-lhe assim. Neste retrato convém não esquecer que Paulo Coelho fez parte da gorda percentagem de recusados até ao bom dia em que Anne Carrière resolveu arriscar com direito a jackpot de 5 milhões e tanto de Coelhos vendidos, neste momento com ainda mais milhões acumulados e abençoado brasileiro que safou Anne e o marido do vão de escada e da vida de pé descalço.
Ao que interessa, no ano de 2005, os franceses compraram 411,2 milhões de livros e aqui é que se percebe se vale a pena continuar a escrever em português ou se nos devemos fazer à estrada, valise en carton, pois claro. Estou a falar a sério? Claro que não, sobretudo porque em França também se ouve o mesmo choradinho com editores em falência como sempre mandaram as leis da vida, livrarias de rua, ‒ mas de que livrarias falamos? ‒ trocadas pela amazónica compra online e até os 10% do preço de venda que cabem ao autor são motivo de lamúria bla bla bla.

Muito gosta o género humano de se mostrar deprimido e pobre sobretudo quando se trata de contrariar a sempre poderosa realidade, crua e dura. A cultura francesa está, sob este ponto de vista, tão viva como a portuguesa. A língua é falada, escrita, vendida que nem pães quentes e a França, apesar de disfarçar, é ainda uma potência colonial sem vergonha na cara e claro, votou e de novo votaria Sarkozy que representa e muito bem o espírito actual dos enfants de sa patrie e cada país tem o que escolhe e merece. Está tudo dito? Ainda não acabei.

Onde há números e sobretudo quando se vem com a conversa dos números é certo e sabido que temos gato escondido com rabo de fora e a verdade é que em Portugal como em França há, de facto, uma crise instalada mas que nada tem a ver com miséria económica. Longe disso. A crise na edição de livros está na falta de talento, na fraca exigência dos leitores que engolem Coelho ou Angot como se fossem livros, quero dizer, aparentemente são livros, tudo indica que o são excepto para alguém que saiba ler. E é esta verdade seca e bruta que divide o mundo da leitura em dois. De um lado as «Sujet Angot» e ide googlar que não estou para links desta Christine da vida, espécie de caldeirada onde a autora se mistura com incesto numa prosa poética pejada de imagens cruas, ai que cruas, ai que poderosas as metáforas de Angot que incluem as árvores e pássaros e animais e gárgulas do costume, enjoativos clichés escritos e mais que escritos, descuidada escrita, pirosona mas acolhida de braços abertos por hordas de leitores, preparem-se agora, leitores imbecis que lêem uma escritora imbecil. Para quem é blogger e perdoem-me já os ofendidos que escusam de se dar ao trabalho de me escrever, Angot será uma Ana de Amsterdam com cara e corpo (e que corpo e que sorriso e que carinha laroca!) no mesmo estilo desassombrado, angustiado, lamentoso, irado, disparate atrás de disparate com o mesmo grau de imbecilidade vulgar da blogger amsterdânica que se eu fosse editora, ai editaria sem hesitar porque tudo indica que a imbecilidade vende e tem números expressivos a todas as escalas, com as devidas diferenças que me saltam aos olhos cada dia menos espantados com o que observam por dentro do ovo da serpente. O que leva um escritor imbecil que escreve imbecilidades a ser um caso de sucesso ao mesmo nível do genial e perfeito Jonathan Littell? A resposta de tão simples, aborrece, porque é, ai Deus meu, é da Crise que falo. Crise de inteligência e saber, crise de imaginação, crise de leitura, crise de saber escolher e separar o trigo do joio e chamar à imbecilidade joio é um favor que me faço para não perder a esperança que me traz a leitura de Les Bienveillantes onde, como diria o Pacheco Pereira, está lá tudo.




publicado por f às 12:30

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Abbas Kiarostami, 1 plan

 
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domingo, fevereiro 17, 2008

escrito

ofereci ao meu amor uma
sentinela de prata
um elmo de ouro velho
um coração esvaziado
de rastos antepassados

uma nesga de céu inflamado
um belo alguidar de plástico
várias janelas descortinadas
algumas pinceladas de vert veronèse
uma enguia preguiçosa
e uns dentes em lápis-lazúli

dei-lhe também um autocarro
sem turistas
várias manchas oculares
e sombras de enorme porte
de rendilhados suspiros
com gargalhadas adjacentes
anexos de folhas morridas
oblíquas rajadas de ventos
soltos das amarras verdejantes

meu amor não deu por nada
meu amor não sabe
que é o meu grande amor

mfs

escrito

já não se vêem as dunas nos horizontes adormecidos
o ressonar do vento embrutecido nas orelhas transparentes
dos crocodilos
australianos
mas no ronronar dos linces desconfiados
desenha-se a rota dos filhos
estacionados nas mãos dos tratadores

as trelas dos sádicos amantes
ensanguentam-se de anelantes rubis
caídos dos diademas das virgens sacrificadas
e as mulheres de rostos e cabelos alvejantes
limpam prazenteiramente
o negro das feridas ectoplásticas
nos corpos empalidecidos

como é belo o desvanecer das vozes arrepiadas
o sussurro azulado das velhas beatas sob os altares
de júpiter pai de todos os deuses
as açucenas que desmaiam ao colo das freiras consagradas
os bordões dos peregrinos aluados
o esvoaçar dos pressentimentos
das profecias de maldições

e como é magnífico o desfazer das paisagens
nos olhos dos que brevemente partirão

mfs

sábado, fevereiro 16, 2008

o sono da inocente

escrito

eu ouvi o canto das doninhas
quando o
vento se levantou e
deitou ao chão
as nuvens
fugitivas dos
estios infernais

eu ouvi

eu vi as faces dos canídeos
que pelas estepes pululam
e cheiram todos os odores
presos em ínfimas partículas
e correm atrás das refeições
de quatro patas
prestes a ser devoradas

eu vi

as sombras inefáveis
dos pensamentos tardios
dos amores escondidos
dos supérfluos manequins
nas janelas citadinas
dos autómatos friorentos
nas ruas nordestinas

senti o estremecer das
dores inevitáveis
que maculam as almas
deitadas nos gelos
da indiferença

apaguei

apago as memórias efervescentes
as criações expressionistas
das inocentes libélulas
no seu valsar azul
cobalto


mfs

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

notícias do quintaleco

 

ei-las que chegam, as olorosas
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quarta-feira, fevereiro 13, 2008

 
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terça-feira, fevereiro 12, 2008

 
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segunda-feira, fevereiro 11, 2008

vaguear


vaguear pelas ruas ainda frias
sem passeios
estacionamento limitado
roupas penduradas a secar
velhos de andar periclitante
uma mercearia com laranjas à porta

os prédios arruinados
sustentados por estruturas de ferro
a porta que se abre com um empurrão

os sacos de materiais de construção
empilhados à entrada
a escada em madeira quase centenária
o último andar

as janelas viradas a leste

mudar a vida

talvez mude a minha vida
talvez mude de vida
não totalmente
mas pelo menos a geografia do meu paradeiro
e com isso a minha alma talvez se inquiete menos
é como voltar ao centro dos sonhos
como ter saudades
eu que fujo a tê-las

quando a casa estiver pronta
talvez em março

domingo, fevereiro 10, 2008

matriz


início da preparação de uma matriz para gravura

sábado, fevereiro 09, 2008

O MEU BLOG PREFERIDO, OUTRA VEZ, ÚNICO!

http://f-world-blog.blogs.sapo.pt/

Fiama Hasse Pais Brandão

A PORTA BRANCA


Por detrás desta porta,
uma de todas as portas que para mim se abrem e se fecham,
estou eu ou o universo que eu penso.
Deste meu lado, dois olhos que vigiam
os fenómenos naturais, incluindo a celeste mecânica
e as sociedades humanas, sedentárias e transumantes.

Mas podem os olhos fazer a sua enumeração,
e pode o pensado universo infindamente ir-se,
que para mim o que hoje importa
é aquela olhada vaga porta.

Que ela seja só como a vejo, a porta branca,
com duas almofadas em recorte,
lançada devagar sobre o vão do jardim,
onde o gato, por uma fenda aberta
pela sua pata, tenta ver-me,
tão alheio a versos e a universos.

Fiama Hassa Pais Brandão
Cenas Vivas
Relógio d´Água

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Há dias atrás recebi uma mensagem no flickr, indicando um contacto para se negociar o uso duma das minhas fotografias, numa campanha publicitária.
A fotografia foi feita o ano passado em Arganil, quando tivemos a primeira reunião de família.
Ontem vi a fotografia num jornaleco, juntamente com mais uma série delas. Hoje vi-a em mais publicações. É a que diz Taty amo-te. Nada de especial, mas faz bem ao ego...eheheheh.
E vão pagar qualquer coisa...