AUTO-RETRATO
Este retrato tem barulho de escada rolante
que se cala em movimento
o chão dos achados
rodeia o mapa de flores pesadas
e os degraus germinam nos pés
à cata de gente média
passageira imóvel dos factos
cresce com o excesso latino
a morte vitalícia de um céu mecânico
a espera é d'aço menino
como um século corporal
vestido de santos e arcanjos
entre os pardais da cama
os troféus escondem os donos
e pensam grosso à sobremesa
sou um homem casado
com dois ou três princípios
que não têm fim.
Boaventura de Sousa
Madison e Outros Lugares
Edições Afrontamento
1989
álvaro de campos / quando nos iremos, ah quando iremos de aqui?
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Quando nos iremos, ah quando iremos de aqui?
Quando, do meio destes amigos que não conheço,
Do meio destas maneiras de compreender que não compreendo,
D...
Há 17 horas
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