o poeta de esquina não vê a
sombra com que o
candeeiro suspenso
escurece o chão sob os
seus sapatos amarrotados
discute com o seu
anagrama
a forma da palavra
que lhe escapa
o sentido do vulto
fugidio
em contra-luz
ensemisma-se
enquanto o
candeeiro lhe desenha
sombras de
morcego
não entende as vozes no
espelho
as simetrias das
oposições
as texturas das
nuvens em remoinho
cogita
m.f.s.
antónio pedro / devagar
-
X
Sei lá das coisas que eu não fiz, apenas
Nunca tive remorso de as fazer…
Não tenho mágoas nem penas,
Tenho apenas
Muita pena
De não ter
Esses remorsos...
Há 15 horas
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