terça-feira, julho 10, 2007

família

 

amanhã regressamos a lisboa por uns dias pois há uma exposição de gravura em évora onde tencionamos ir
nesse exposição vai estar uma gravura minha
quanto à pintura não tenho feito nada a não ser fotografias que modifico até obter imagens que me agradem e sirvam de "inspiração"
e ideias não me faltam
preciso de saber pô-las em prática
quanto a escritos nada de novo na frente sul...
ontem uma das minhas cunhadas enviou-me fotos com alguns anos que me agradaram muito
algumas das pessoas fotografadas já se foram embora
eu sou a que está encostada à balaustrada da varanda
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segunda-feira, julho 09, 2007

secas mas belas

 
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domingo, julho 08, 2007

experiência

 
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experiência

 
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serras algarvias

 
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palhas

 
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sábado, julho 07, 2007

escrito

espera a fortuna o canto da sereia
que impulsione a alavanca das ironias

o homem nada sabe de quiproquos

as taxas telefónicas alargam-se alegremente
nas contas mensais
nas casas abandonadas do médio termo
na meia idade
no meio do terreno insuflado
dos caracois acalorados

as elegantes pernas das jovens esperançosas
deixam ver o movimento dos músculos
bem treinados
ao alvorecer

o homem olha sem ver as sombras do seu
pouco cabelo
murmura inarticulações
finge onomatopeias
o homem sonha no largo da aldeia

o vento desafia a estabilidade dos ninhos
incompletos
que algum pássaro prestes a ser pai
iniciou num alto andar
de alguma árvore queixosa
dos alugueis por pagar

os camaleões reviram os olhos versáteis
ensaiam outras cores
atravessam o calor dos caminhos
amedrontados

o artista plástico imagina colagens
amálgamas de cenários
janelas mil na sua tela premonitória
planos vários
ambientes impossíveis

o artista apresenta a sua obra imaginada
a si mesmo
desgosta-se
rompe a unidade do suporte
deixa para outro dia
as imagens do homem que sonha
do camaleão medroso
dos pássaros-quase-pais
das sereias afogadas
das jovens de inuteis belezas musculares

o artista decide abdicar de taxas telefónicas

m.f.s.

kikas

 

kikas atenta ao ladrar dos amigos
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quinta-feira, julho 05, 2007

calor

voltei ao algarve ontem
vim encontrar a casa decorada pelo labor das aranhas
que fazem delicadas teias a unir as flores secas
os campos estão sedentos
mas ainda há cores vivas nalgumas buganvílias
as outras plantas suavizaram-se e tendem para o dourado
o calor é muito
a partir de hoje tenho por companhia a gata e a cadelita da minha amiga que é óptima a avisar dos intrusos
mas não consegue fazer amizade com a gata
coloco aqui algumas fotografias



escrito

há um signo nos céus que nos convida
ao voo interestelar
à viagem quântica
ao percorrer das nossas artérias
à descoberta da alma do outro

um signo no céu feito de música
modelador da nossa consciência
autor do caminho entre as montanhas
sobre as dunas
nos imos dos oceanos
da estrada
da vereda
das sendas
que nossos pés afloram

o sinal do nosso mapa
traçado na nossa pele
vestígios fosforescentes
das crateras abismais
que nos fizeram sair
da negra matéria de deus

m.f.s.

terça-feira, julho 03, 2007

escrito

a erva que piso reverdece os meus pés
formigas abandonam a presa rapidamente
deito rajadas de ventos furiosos
sobre os azuis marinhos
e deixo-me adormecer em sonhos de nuvem
enxoto os pombos que me tolhem os passos
obrigo-me a um sorriso para a flor que
inclina a corola
empunho as águas com que alago as ruas
espalho flashes de perfumes em lata
recuo enquanto sereia
avanço enquanto potro de marfim
pergunto ao outro como é o meu rosto
ninguém responde
fito o tigre que se liberta
arranco-lhe as listas
com que faço tranças de ouro
o cadáver na porta de entrada faz um
sorriso incandescente
inquieto-me com o rugir das crianças
desenho

desenho um paraíso de linhas negras
finas linhas negras de grafismos
encantatórios
corto as linhas em pontos
tinjo os pontos de coral
espalho sobre o papel
a cor do infinito

m.f.s.

metro

 
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metro

 
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chuva

 
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ou o poema contínuo

 
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escrito

hoje comi uma lufada de ar
que por engano entrou pela
minha janela
sabia a flores amarelas
com estames loiros
pé azul-fénix
folhas aeriformes

no centro da lufada de ar
havia um coração de gnomo
envergonhado
cantava baixinho
como o paul simon
quando acordava à meia-noite e
cinco minutos

saltava como um gafanhoto
coxo
girava como um pião
desfocado no tempo
amava newton
vivia num arco-íris perdido

bendigo a lufada de ar
que me trouxe a bela digestão
da fantasia embrulhada
em lírios brancos

m.f.s.

domingo, julho 01, 2007

escritos

escritos fraquitos
estou vazia

vou mas é ver o arte que está com um programa de lavar a alma

olhar

tenho o olhar mortiço
suponho

só o som dos oboés
o ilumina

onde estão a luz
o aroma
a aragem
a cor
que alimentam
este olhar

que se desencanta
que por nada
se interessa

que percorre os fios
das teias
as evoluções
dos pensamentes
vadios
ausente
sempre ausente


quero acender este
olhar
o que me resta deste olhar
o que ainda comove
este olhar
mortiço

m.f.s.

saudades

tenho saudades
eu que não tenho saudades

não sei do quê
não sei se de alguém

tenho saudades
do que pressinto

do que não consigo
imaginar

noutro cenário
talvez
esteja o objecto
da minha saudade

mas não sei de que tenho
saudades

m.f.s.

farinelli

no arte está a dar o filme farinelli
aquela voz parte humana
de dois cantores de ópera
parte fabricada em computador
causa emoções que não se explicam
apenas se vivem


sou eu que
todas as noites
abro a janela da
fachada sul
e contemplo
o brilho das águas
do rio que corre
como a voz de farinelli
provocando em mim
estranhos sobressaltos
êxtases e dores

sou eu que todas
as manhãs abro
a janela da fachada
norte
e chamo as aves
que desenham
o destino
do dia
no cenário
abobadado

a voz
a voz de farinelli
persegue-me
como uma doce
fatalidade
uma benção
um bálsamo

os pássaros levam no seu bico
os gorjeios do castrado
estendem cortinas de azul
abrem fendas
trilham amores
desconhecidos sentimentos
loucuras

amores
amores

m.f.s.