espera a fortuna o canto da sereia
que impulsione a alavanca das ironias
o homem nada sabe de quiproquos
as taxas telefónicas alargam-se alegremente
nas contas mensais
nas casas abandonadas do médio termo
na meia idade
no meio do terreno insuflado
dos caracois acalorados
as elegantes pernas das jovens esperançosas
deixam ver o movimento dos músculos
bem treinados
ao alvorecer
o homem olha sem ver as sombras do seu
pouco cabelo
murmura inarticulações
finge onomatopeias
o homem sonha no largo da aldeia
o vento desafia a estabilidade dos ninhos
incompletos
que algum pássaro prestes a ser pai
iniciou num alto andar
de alguma árvore queixosa
dos alugueis por pagar
os camaleões reviram os olhos versáteis
ensaiam outras cores
atravessam o calor dos caminhos
amedrontados
o artista plástico imagina colagens
amálgamas de cenários
janelas mil na sua tela premonitória
planos vários
ambientes impossíveis
o artista apresenta a sua obra imaginada
a si mesmo
desgosta-se
rompe a unidade do suporte
deixa para outro dia
as imagens do homem que sonha
do camaleão medroso
dos pássaros-quase-pais
das sereias afogadas
das jovens de inuteis belezas musculares
o artista decide abdicar de taxas telefónicas
m.f.s.
antónio pedro / devagar
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Sei lá das coisas que eu não fiz, apenas
Nunca tive remorso de as fazer…
Não tenho mágoas nem penas,
Tenho apenas
Muita pena
De não ter
Esses remorsos...
Há 15 horas
1 comentário:
E assim vai passando a Vida...
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