a erva que piso reverdece os meus pés
formigas abandonam a presa rapidamente
deito rajadas de ventos furiosos
sobre os azuis marinhos
e deixo-me adormecer em sonhos de nuvem
enxoto os pombos que me tolhem os passos
obrigo-me a um sorriso para a flor que
inclina a corola
empunho as águas com que alago as ruas
espalho flashes de perfumes em lata
recuo enquanto sereia
avanço enquanto potro de marfim
pergunto ao outro como é o meu rosto
ninguém responde
fito o tigre que se liberta
arranco-lhe as listas
com que faço tranças de ouro
o cadáver na porta de entrada faz um
sorriso incandescente
inquieto-me com o rugir das crianças
desenho
desenho um paraíso de linhas negras
finas linhas negras de grafismos
encantatórios
corto as linhas em pontos
tinjo os pontos de coral
espalho sobre o papel
a cor do infinito
m.f.s.
antónio pedro / devagar
-
X
Sei lá das coisas que eu não fiz, apenas
Nunca tive remorso de as fazer…
Não tenho mágoas nem penas,
Tenho apenas
Muita pena
De não ter
Esses remorsos...
Há 16 horas
3 comentários:
Para mim, do que tenho visto, foi este o melhor que escreveste.
Estavas inspirada. Parabéns!
Muito boa poesia como sempre.
:D
Isabel
Obrigada a ambos pela gentileza :)
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