o vento que rasga as vestes das estátuas decepadas
que rouba o orvalho dos rostos suspensos nas gotas
das chuvas entornadas em lagos de pálidas rosas
o vento que arranca as cascas dos frutos caídos
na terra voraz dos hortos
o vento que raspa as areias dos penhascos
leva consigo os suspiros dos lírios amarrotados
enrola em valsas furibundas os odores dos domingos
vazios
levanta até às lonjuras incandescentes
as asas de quartzos irrompendo dos costados
das leves gaivotas ululantes
o vento
mfs
egito gonçalves / o anjo do relógio / chartres
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Ainda o vi, o anjo do relógio. Era como Rilke
nos dissera: nada sabia do nosso ser,
sorria no seu pétreo resplendor, apenas
segurando a mensagem da sombr...
Há 1 dia
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