Semáforos
Nada te espera, prosa.
Levanta-te e caminha, como fez o outro.
As imagens guardam o seu tempo de exaltação.
Os sentimentos, não.
Não te preocupes com o homenzinho triste
que entrava o teu caminho, a porta não adivinhada.
O homem dos quarenta anos pede-te boleia.
Não olhes, não ligues, resiste aos seus lamentos
de cabra desgarrada em cima duma pedra.
Ele quer é seduzir-te com a infância,
essas crias medrosas que nunca soube orientar
e não sabe agora o que fazer com elas.
O teu destino é outro. Continua.
Se o homenzinho chora, atira-lhe ao olhar
toda a imensidão da relva que lhe resta.
O que ele quer é seduzir-te com amores,
as fátuas labaredas do desterro
e da vergonha.
O teu futuro és tu. Cresce e aparece.
A prosa que se preza não dá ouvidos à gente
que traz nas mãos um punhado de víboras
afinal tão amestradas.
Se o homenzinho implora, indica-lhe o lugar
a que tem direito no circo:
uma pista feita de memória
e toda uma plateia que cansada urra
e que o pateia.
Nada te espera, prosa.
Deixa o homem gritar.
O mundo das imagens é só seguir em frente
e nunca alcançar a rosa.
ARMANDO SILVA CARVALHO
álvaro de campos / quando nos iremos, ah quando iremos de aqui?
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Quando nos iremos, ah quando iremos de aqui?
Quando, do meio destes amigos que não conheço,
Do meio destas maneiras de compreender que não compreendo,
D...
Há 17 horas
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