terça-feira, junho 12, 2007

3.ª feira

Acordei disposta a continuar os passeios pela manhã. Daqui a pouco lá vou eu. Mas antes resolvi escrever qualquer coisa.
O meu interese pelas coisas "simples", como quintalecos, flores, belas palavras, etc., deve-se, suponho, ao meu cansaço da fealdade e violência que nos rodeia e é constantemente mostrada. Ao meu cansaço das atitudes das pessoas que não compreendem
que se pode ser ingénuo, generoso, simples, sem se ser idiota. Das pessoas que não têm pejo em abusar da credulidade dos que são sinceros e benevolentes. Das pessoas que só vêem o seu umbigo...que nem sempre é bonito.
E pronto, já desabafei. Afinal estou farta de saber que é mesmo assim.
E agora, belas palavras: bondade, bondade, bondade.

segunda-feira, junho 11, 2007

Gravura

Hoje fiz três provas de ensaio de gravuras para ver quais as melhores para a exposição de Setembro.
Ainda não me decidi. Amanhã farei mais.
Ando a gravar músicas para o Mp3.
O que comprei em Singapura foi um "barrete".
Ontem vi o filme Infame. Gostei bastante.
Às vezes tenho tanta coisa para dizer mas uma enorme preguiça para escrever.
Gostava de falar da revista que estou a ler...Sciences Humaines n.º 7 - Psychologie, l´esprit dévoilé.
Deviam inventar um computador que fosse escrevendo no blogue o que se ditasse.
Também deviam inventar uma máquina que gravasse imagem, som e odor.
Hoje deu-me para aqui...

Passeio


A partida para o Algarve foi adiada. O que me leva a ter que me organizar para ocupar o meu tempo da melhor maneira.
Hoje decidi recomeçar os passeios. Fui até aos Jerónimos, tirando fotografias pelo caminho, comendo um pastel de Belém e observando os turistas. Comprei uma revista muito interessante que comecei a ler sentada debaixo desta árvore.



Fiz vária fotografias, dos ciprestes também.

Associação de ideias - ciprestes:
Cemitérios
Henri Rousseau
Louça antiga
Casa da amiga do Algarve
Infância

No regresso a casa fui ao chinês onde gastei uns euros e fotografei as paredes dos quarteis - lindíssimas. Ultrapassam em beleza muitos quadros, obras-primas da pintura. Essas fotos coloco no flickr.
Depois pensei em palavras de que gosto: redondo, evanescente, ondulado, ténue, suave, transparente, jovial, alegre...
Pensarei em mais.

Notícias do quintaleco


Há anos, numa das então chamadas lojas dos 300, comprei esta planta. Ao fim de algum tempo, já bastante crescida, deu uma flor.


Com o tempo cresceu tanto que decidi pô-la no quintal.
Rebentou novo ramo e este ano ambos deram flores. A do mais antigo era mais fraca, menos exuberante.
Cortei a do ramo mais novo e dividi-a por diversos recipientes que coloquei em espaços diferentes.
A flor tem um "relógio" que a faz abrir as pétalas a certas horas e lançar um perfume intenso. Depois fecham.

domingo, junho 10, 2007

Sintra

 
Posted by Picasa

toldo

 
Posted by Picasa

perfume

 
Posted by Picasa

escrito

num planeta com mulheres por dentro
correm lobos enfastiados
punhais lavram as terras secas do
futuro
fala-se baixinho para não
inquietar as linhas enroladas
à volta dos punhos indefesos
para não romper as cegueiras que
a luz provoca nos sapientes
para não escutar as ameaças dos
desprevenidos
não ver o cortar dos gestos
não adivinhar contornos nas
sombras
viver em eterna imobilidade
respirar poemas nunca escritos

abandonar as vitrines
apagar-lhes os reflexos

arder docemente
em piras inquisitoriais

viver faz-de-conta

m.f.s.

sábado, junho 09, 2007

casa

o corredor é longo na casa antiga
vai de um extremo a outro da vida em
comum
dos seus foscos habitantes

luzes poucas encurtam a
lentidão do caminhar
sugerem sombras como o vento
que arrepia as ondas do mar

no início uma porta depois da
outra
a da entrada

é o espaço das visitas
à direita a sala
à esquerda o quarto

depois outra porta ao fundo
resguarda a zona dos
cozinhados

entre estes dois locais
a vida vive-se um pouco
talvez mais que isso
se calhar

a casa é um armazém de falas
de pensamentos esfumados
de passos cuidadosos

de cheiros
a natais mal digeridos

uma casa viva como os que
a habitaram

a casa que também nasceu e
morre devagar
exalando os suspiros guardados

a casa que se retrai até ao
último alicerce

a casa a sépia numa
fotografia fora do tempo
dos tempos

m.f.s.

as flores em estado de transformação

Posted by Picasa

escrito


havia um filamento de nada à roda das silhuetas
que em movimentos de ténue coreografia
expulsavam os fantasmas embriagados
limpavam de gestos aéreos a brisa das madrugadas
punham um véu de opacas melancolias
no pulsar dos motores íntimos ainda imparáveis

um louro pólen amaciava as nuvens alteradas
pelos relâmpagos enfurecidos
as mulheres sofriam de desamor nas suas
janelas abertas à tempestade
corações murchos nas mãos envelhecidas
olhos descaidos nos cantos
lacrimejantes

as mulheres pintam-se em cenários de
castelos encantados
pintam os muros de vidro com a cor das
dores escondidas
exaltam-se devagarinho

rompem em slow-motion
as teias de sedas celestiais
que lhes tolhem a vida
perdida em meandros de inutilidades

o filamento cede à revolta das silhuetas
desfaz-se em cenários de caos

para que servirá o crepúsculo - ?

m.f.s.

sexta-feira, junho 08, 2007

silhuetas

 
Posted by Picasa

quinta-feira, junho 07, 2007

Família

 


Para terminar a "reportagem" sobre a família, um dos cenários onde nos encontramos.
Posted by Picasa

Família

 


Um dos bonitões da família, com sangue oriental e caboverdeano.
Posted by Picasa

Família

 


Bacalhau à lagareiro. Estava bom.
Posted by Picasa

Família

 


Um dos membros da família, grande amante do futebol.
Posted by Picasa

Família

 


Eis o organizador do encontro familiar e sua mamã
Posted by Picasa

quarta-feira, junho 06, 2007

Sintra

Sintra

áfrica

queria ouvir o gotejar do suor
das feras
nas estepes infinitas da áfrica
que imagino

ouvir ainda os suspiros dos gnus
estrangulados

correr à frente das chitas
até me alcançarem
ao virar da esquina

olhar até ao fundo a alma
dos leões em fim de percurso

queria ser um imbondeiro opulento
um floco de neve do kilimanjaro

queria ser toda a terra
todos os rios
os louros desertos
da áfrica que se extingue

queria soar aos gritos das
chamas
dos mais ferozes tambores
das gentes que dançam

crepita áfrica de além mar
rosna fera que ainda dorme

levanta-te donzela de negro perfil
meneia as tuas ancas de deusa

corre pelas névoas escondidas
segura o destino da terra entristecida

m.f.s.

jarro

 
Posted by Picasa