num planeta com mulheres por dentro
correm lobos enfastiados
punhais lavram as terras secas do
futuro
fala-se baixinho para não
inquietar as linhas enroladas
à volta dos punhos indefesos
para não romper as cegueiras que
a luz provoca nos sapientes
para não escutar as ameaças dos
desprevenidos
não ver o cortar dos gestos
não adivinhar contornos nas
sombras
viver em eterna imobilidade
respirar poemas nunca escritos
abandonar as vitrines
apagar-lhes os reflexos
arder docemente
em piras inquisitoriais
viver faz-de-conta
m.f.s.
golgona anghel / não gosto de contar
-
Não gosto de contar os desastres em detalhe
mas, se quiserem, posso escrever uma lista com nomes e camas.
Sou bem capaz de molhar o pezinho na história ...
Há 12 horas
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