no ar volátil das brancas montanhas
as libéluas
ostracisadas
perdem o irisado das longas asas
os flocos azulados que caem
acariciam as rochas
ligeiramente moventes
à beira das frestas escancaradas
nos flancos das elevações
as pestanas sustentam congeladas
gotas
a pele das faces retalhadas
encolhe-se sobre os ossos
engelha-se
lentamente o sol levanta-se
derrama sobre as neves o seu ouro
matinal
os texugos estremecem
num qualquer lugar
onde há texugos
ffg
amalia bautista / até quando?
-
Até quando no túnel sem saída,
no bosque feito de espinhos, no poço?
Até quando instalada na esperança
dos que nada esperam?
Até quando perdida em labir...
Há 8 horas
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