domingo, junho 17, 2007

influências

influenciar

talvez que um dos desejos escondidos de cada um de nós seja influenciar outros
poder levar outros a seguir as vias que queremos pode ser "embriagante"
ora bolas! não é nada disso a não ser que sejamos totalmente irresponsáveis
condicionar a vida de quem quer que seja será responabilizar-se pelas consequências
ai não me apetece continuar esta reflexão
mas não posso deixar de me assustar quando me sinto uma espécie de bitola para outros
como se se pudesse ter a nossa vida como reflexo de outra
o poder sobre os outros é uma maçada sobretudo quando não o queremos
e não quero que sobre mim exerçam qualquer poder
é claro que sei que não se pode fugir sempre a situações destas
mas não sou bitola, não sou modelo
não quero influenciar ninguém
pronto
já disse alguma coisa
amanhã vou estar mais feliz
la nonchalance...viver como quem passeia entre flores...com algumas silvas e cactos pelo meio, é certo
mas enfim com cores luzes perfumes algum sangue e liberdade
ou ao menos um simulacro

sábado, junho 16, 2007

escrito

pela manhã revejo
aquele porto
habitado de grandes
naves marítimas

retiro da minha carteira
uma foto antiga
nela isolo um rosto

coloco o rosto no horizonte
sobre um petroleiro vermelho

dominas a paisagem
suspenso em minhas mãos

o rosto des-focado
cabelos em fios como riscos
sobre vidro

a ternura saudosista
da sépia deslavada
a tua camisa branca
num fato branco

marujo que não embarca

ar sério
premonitório

homem que se afasta
no horizonte
das naves enormes
dos solenes mares
quase em fúria

mares que te devoram
marujo esbatido
homem de cabelos
em fios inquietos
pelo vento
que se aproxima

m.f.s.

escrito

as valsas que fazem voar os sonhos

o peso da atmosfera em sons

a frescura branca do ar livre


a desolação das golas rendadas

nos pescoços das donzelas antigas

contornos de águas que estremecem

sinais vermelhos sobre a pele branca

brincos tintilantes em orelhas fechadas

a mão

as mãos de destinos irrecusáveis

o vidro das gavetas secretas

armas de brincar nos bolsos

guinchos de violinos

arrastar de redes pescadoras

marulhar

ondas concêntricas sobre as águas

abismos
vertigem

m.f.s.

sexta-feira, junho 15, 2007

N. Y.


N. Y. 2005
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N. Y.


N. Y. 2005
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N.Y.

Não me lembro do autor deste trabalho visto num museu de N. Y. 2005
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Café


N. Y. 2005
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Exposição


N.Y. 2005
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passeios

os passeios estão suspensos...
ontem tirei mais uma prova de ensaio que saíu uma nulidade
arre que estou destreinada

mas vou ver se não me deixo abater

palavras ternas:

água-quente
veludo
roxo
pelo-de-gato
olho-de-flor
cetim-dos-olhos
retículas
como-é-bom
pele-murcha
sorriso-do-maigret
rocambole-na-memória
filha

palavras que gritam como o giz no quadro preto:

assobio-de lagarto
unha-cortada
lima
lixa
logotipo
manuseamento
manipulação
traição
hipocrisia
publicidade
cerveja-do-figo

belezas acústicas:

ronronar dos gatos
ganidos dos cães carentes
guincho de porta a abrir e a fechar
rabanada de vento
trovão sobre o quintal
abanar das copas das árvores
som ténue dos velhinhos quando olham ao longe

é tudo por agora

quinta-feira, junho 14, 2007

gatinha

Gozando o sol do Algarve
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escrito

sobre a noite a
outra noite
do teu regresso
os olhos dos teus
olhos
na noite
do teu regresso

na água as águas
dos teus olhos
nos lagos dos
teus olhos
a neblina
do teu céu
nublado

o céu do teu
regresso
contra a neblina dos
teus olhos

a partida sobre as
águas
dos teus passos
guiados pelos teus olhos
sem regresso

a busca na noite
do teu rasto
sem sombra de
estrelas
sem olhos enevoados
com negrumes de
luzes

m.f.s.

cortina

escrito

um voo de pensamento mal esboçado
a forma que se define contra os
vitrais
a catedral em que ressoam os
cânticos
sagrados

o pensamento que finalmente se
consolida
se eleva como o ressuscitado

se expande como o universo

e tu

a quatro dimensões contra o meu
peito
tu

uma estrela que explode
nas almas paradas

tu

de quem apenas sei que és
para quem se dirige
esta sombra
no meu rasto

em que se concentram
todos os desejos
todos os olhos de pestanas
recurvadas
como as das cinéfilas
empedernidas

todo o arfar cansado dos
que se escondem

todos os músculos modelados
nos esforço ginástico
toda a beleza provocada contra
as retículas

todos os excessos ostracizados
do corpo que se deita no tempo

todas as partículas de mim

tu que me devoras a cada instante
como o lobo a avozinha

não me leves o meu chapéu encarnado

m.f.s.

quarta-feira, junho 13, 2007

ai ai

DSCF05251

added this as a favorite. Added 5 hours ago
tashland says:
You have some extraordinary photo's! This one in particular I find very compelling. I can not work out if they are photo's of your artworks or found objects... either way, you have an incredible eye.

ai ai como estou vaidosa
a verdade é que só estrangeiros me dizem isto...

palavras

palavras belas às vezes:
dormir

feias às vezes:
dormir

palavras cantantes:
sorriso
bom-humor
brisa
contorno
tuba
farinelli
gato-das-botas
maçã-da-branca-de-neve
câmara-de-horrores

palavras surdas:
véu
onomatopeia
sobrancelhas-em-acento-circunflexo
wagner-ouvido-por-hitler
desenho-marítimo
secador-de-cabelo

Talvez haja mais noutra altura

yeh

havia uma porta
que se escondia
atrás de uma janela
atrás de uma porta
por detrás de uma
janela

havia um rosto
que se deitava
num travesseiro
numa cama com
outro rosto
deitado no
travesseiro

havia um espelho
que se esvaziava
todas as noites
e se enchia todas
as manhãs

havia uma voz
que cantava um blue
e uma grafonola
que tocava uma ária
numa sala deserta
num deserto sem salas

e um golfinho
que golfinhava
numa piscina
perto de si

um rei que não reinava
só jogava à bola
cuspia pro lado
dizia poesias
e enganava-se
sempre

havia um programa
que se deixava
patrocinar
por um gang de
mulheres mortas
nas ruas de ninive

uma mulher que se
desengonçava
ao som de um mozart
num palco de yeh-yeh
e afinal

era um homem

havia uma rocha
que resvalava
por um rosto de
algodão
e ria às
gargalhadas

havia outra mulher
que compulsivamente
escrevia estranhezas
e olhava a televisão
em que imagens e palavras
lhe faziam doer os olhos

em que os sons de tiros
carros em derrapagem
mafiosos elegantes
raparigas à venda
a empurravam
para escrever horrores

mais surrealistas
que as tripas
ensanguentadas
das séries americanas

m.f.s.

terça-feira, junho 12, 2007

Helder Baptista

Hoje no meu passeio encontrei um dos nossos grandes escultores, Helder Baptista. Foi agradável falar com ele. Conheci-o na minha infância.

olhos

Se olharmos com atenção para as pupilas de quem quer que seja, sobre as quais incida a luz solar, veremos que têm muitas cores. Mas ao longe vemos a sua fusão. Tal como no impressionismo.
Logo, as pupilas são impressionistas, isto é, como os quadros dessa corrente artística?
:)

Passeio de 3.ª feira

Bandeiras ao vento animam a paisagem

Gosto de fotografar e filmar sombras. Ainda não sei como pôr os filmezitos que tenho feito aqui. Isto é, sei que se pode fazer pelo youtube, mas ainda não arranjei paciência para isso.

Sim, divirtam-se, com ou sem olá.


O passeio de hoje foi pela beira-rio

Temas recorrentes nas minhas fotografias: longas perspectivas, neste caso com o reflexo do amarelo do camião na parede

Uma das muitas mentirinhas que aparecem por aí.